Youtubização das crianças

Há anos temos assistidos, indiferentes, a youtubização das crianças em boa parte dos países do mundo.

No Brasil, então, o youtube e seus 500 mil youtubers formam os tais de “baixinhos”, nossas crianças – filhos e netos e, agora, bisnetos. E pensar que anos atrás nos importávamos com a sensualização que Xuxa passava para os pequenininhos nas manhãs do Brasil.

Objetivamente, os adultos largaram.  Entregaram a Deus… E ao diabo.  E agora alguns pais e famílias começam a reclamar pela publicidade dirigida aos seus “indefesos” e abandonados baixinhos… Não deveria ser assim, mas, esse é o problema menor.

O problema maior é entulhar informações irrelevantes, tóxicas, e de forma absurdamente criminosa na cabeça de crianças que tudo o que deveriam estar fazendo é brincando, divertindo-se, aprendendo, lendo, crescendo, convertendo matéria-prima de excepcional qualidade em adultos sérios, éticos, empáticos, respeitosos, cordiais, fraternos.

Semanas atrás, o The Wall Street Journal divulgou uma pesquisa feita com famílias nos Estados Unidos. Imagino que no Brasil a situação não seja tão diferente. E se for, é para pior e mais grave, pelo que vejo em minha família, com meus amigos, e com todas as pessoas nos momentos em que se fala sobre o assunto.

Na pesquisa americana, realizada com 5 mil adultos, pais de filhos com 11 ou menos anos, 34% autorizam o acesso total de seus filhos ao YouTube. 47% ocasionalmente. E 19%, nunca. Ou seja, e arredondando, 80% permite. E daí?

Daí que 61% dos que foram atrás, eventualmente, dar uma conferida, disseram ter encontrado conteúdo mais que impróprio, e, mesmo assim, deram de ombro, deixaram pra lá…

Isso posto, e já que por preguiça, falta de tempo, impossibilidade factual, doses de irresponsabilidade, pais, avós e bisavós largam seus baixinhos aos humores e responsabilidade do YouTube, acredito estar mais que na hora, e é absolutamente indesculpável, o Google, e sua holding Alphabet Inc, não produzirem e adotarem um Código de Autorregulamentação Radical.

Muito especialmente na empresa que compraram no ano de 2006, por míseros US$ 1,65 bilhões, e que hoje vale 100 vezes mais, muito especialmente alimentada pela inocência, ingenuidade e sangue de milhões de crianças de todo o mundo.

Não tem o menor sentido permanecer absolutamente indiferente diante da perversão cruel e irreversível que vem protagonizando desde o início desta década e de forma crescente e galopante.

Chega o que as cigarreiras fizeram com milhões de pessoas em todo o mundo promovendo o que um prosaico e inofensivo cigarro era capaz de possibilitar a todas: charme, fama, fortuna, beleza, conquistas, sucessos, e… Morte da forma mais dolorosa e cruel possível.

Mas, e enquanto o Google não faz o que já deveria ter feito, que cada um de nós cuide de proteger nossos queridos baixinhos…

 

 

Quer receber nossa newsletter? Preencha o formulário abaixo: