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WeWork

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Há quase três anos tudo era festa. Uma importante reunião aconteceria. Todos a espera do MIDAS das startups, Masayoshi Son, o Masa, o todo poderoso e maior investidor das empresas da nova economia, comandante do SoftBank.

Masa está atrasado. Adam Neumann, não consegue parar num mesmo lugar, numa ansiedade desproporcional e fora do comum. Sempre provocou suspeitas. Não tira os olhos do relógio, e vez por outra da umas porradas no pushing ball – saco de pancadas – da decoração do WeWork. Ao lado de uma bicicleta ergométrica e de um bar mega abastecido.

Masa prometera a Neumann 2 horas de seu tempo. Tinha passagem marcada. Neumann, ex-oficial da marinha israelense quase vai à loucura. O clima é tenso. Masa chega com uma hora e meia de atraso. Tinha meia hora para conversar e conhecer o WeWork. “Pior ainda, conta Neumann, Masa chega, olha no relógio, e, diz, ‘sinto muito, só tenho 12 minutos’”.

Uma volta rápida pelo WeWork e Masa convida Neumann para acompanhá-lo até o aeroporto e assim poderiam conversar mais. Próximo do aeroporto Masa pega um iPad, esboça uma proposta. Assina a proposta e dá para Neumann assinar. Dias depois o SoftBank deposita US$ 3 bilhões nos cofres da WeWork. Nunca mais se ouvirá uma história tão estapafúrdia e maluca como essa.

Em verdade, 20 anos antes Masa era um dos mais importantes investidores da internet. Quando a bolha estourou em questão de meses perdeu mais de US$ 70 milhões em participações em 5 centenas de sites que naufragaram. Hoje possui participações em dezenas de empresas, com um grande acerto: Alibaba, e negócios de elevadíssimo risco como o Uber. Estilo parecido com um outro maluco que atira em todas as direções, de cada 5 negócios acerta em 3 e erra em dois, tudo com um mesmo naming, Virgin, e enquanto essa proporção prevalecer, ele, Richard Branson permanecerá vivo e em pé.

Meses atrás estava prevista a abertura do capital do WeWork. Conscientes do mega fracasso que seria seus principais investidores, muito especialmente Masa, abortaram a operação. Mais que isso. Ninguém mais aceitava Neumann no comando. Poucas semanas antes do Covid-19 Neumann foi defenestrado do comando. Levou para casa um bônus de US$ 1,7 bi. Encostado na parede, renunciou passando o comando para o CFO Artie Minson.

Neumann, simplesmente insuportável. Na opinião da maioria dos acionistas, muito especialmente do maior deles, Masa e seu SoftBank, uma pessoa emocionalmente desequilibrada, dependente de drogas, e péssimo líder. Simplesmente caótico. A quem Masa confiou depois de uma reunião de 10 minutos e a caminho do aeroporto US$ 3 bilhões.

Em comunicado à imprensa e aos acionistas, Neumann despediu-se da direção executiva da empresa afirmando, “Embora nosso negócio nunca estivesse tão robusto, os questionamentos direcionados a minha pessoa nas últimas semanas passam a tomar muito do meu tempo e assim decidi que é melhor para os interesses da companhia que eu renuncie…”.

As megas empresas e exemplos de sucessos espetaculares da chamada Nova Economia, todas, neste momento, enfrentam a hora da verdade. Se tem consistência e sustentabilidade, ou se não passam de balões de ar inflados por multidões de investidores gananciosos, e gestores de fundos desequilibrados.

Três das mais incensadas dentre essas empresas, neste momento, com uma grande espada sobre suas cabeças. Uber, Airbnb e WeWork. Odorico Paraguaçu em Sucupira construiu um cemitério e rezava para morrer alguém para inaugurar o cemitério.

O cemitério dos unicórnios ficou pronto no final do ano passado. Sua inauguração, com uma primeira cerimônia fúnebre não passa do final deste ano, 2020. O WeWork é um forte candidato a inaugurar o cemitério dos unicórnios. Os fundamentos da economia continuam em pé, e mais que nunca válidos. Não se tratam de fundamentos da velha ou da nova. Fundamentos da economia valores definitivos e consagrados, para sempre.

Where is the Beef? Dá resultado? Para em pé? É sustentável no médio e longo prazo?

Se a resposta for negativa a apenas uma dessas questões, esquece. Não é uma empresa de verdade. Apenas um espasmo barulhento e irrelevante. Mas que provoca rombos descomunais e definitivos nas carteiras de investidores e de fundos de investimentos.

 

 

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