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Waze Carpool e o surpreendente Brasil

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Noam Bardin veio ao Brasil no final de 2019. Noam é o CEO do Waze, desde 2009, portanto, 4 anos antes de ser comprado pelo Google, em 2013, por US$ 1 bi. Poucas vezes testemunhamos um profissional ter tantos espaços da mídia escancarados para suas manifestações, o que, de certa forma, reflete o imenso respeito e apreço que todos têm pelo aplicativo israelense, pelos inestimáveis serviços que presta. E por que Noam Bardin concentra tanto de sua atenção ao Brasil? Porque, uma vez mais somos o número 1 na adesão a alguma novidade. Hoje o Waze tem mais de 130 milhões de usuários regulares em todo o mundo. E jamais perdeu de vista a que veio. Razão de ser e propósito.

Não apenas melhorar o trânsito das grandes cidades como mecanismo que orienta as pessoas sobre os melhores caminhos, mas, e também, e consciente de sua missão e responsabilidade social, de agregar novos features a seu aplicativo campeão no sentido de melhorar ainda mais o trânsito das cidades e a vida das pessoas. E assim lançou o Carpool. Um aplicativo de caronas que roda sobre o Waze, lançado em Israel em 2017, e em 2018, em outros países e no Brasil. Retomando o que vinha dizendo, e no Brasil, e muito rapidamente, ganhando a adesão de motoristas e caronas brasileiros.

E aí Noam veio ver o que está acontecendo com um país que saltou a frente de todos os demais registrando o espetacular número de 2 milhões de caronas desde seu lançamento por aqui, em agosto de 2018. Isso mesmo, amigos, mais de 2 milhões de caronas em pouco mais de 1 ano…

Noam tem duas hipóteses para o sucesso do Waze Carpool no Brasil. Diz ele, “O Brasil é de longe o maior mercado mundial do Carpool. Há uma curva de adoção por aqui que não vemos nem de perto em outros países. E minha conclusão é, ou porque o trânsito é muito ruim, ou porque os brasileiros são muito amigáveis…”.

Em verdade, nós, brasileiros, por infinitas razões, somos pródigos em experimentação e adoção. Na frente, disparado de todos os demais países experimentamos antes e mais que todos outros, e, se gostamos, adoção de imediato. O falecido Orkut é o melhor testemunho dessa nossa característica. Se um dia o falecido Orkut tivesse que adotar uma língua como sua língua oficial certamente seria o português. Mais de 50% dos integrantes da primeira rede social de sucesso em todo o mundo eram os brasileiros.

Assim, e considerando essa manifestação espontânea e natural, o Waze decidiu dar uma força para acelerar e adensar esse comportamento nosso. Na cidade de São Paulo está criando cinco pontos de embarques e desembarques de caronas, mais a reforma de um parklet no bairro do Butantã. Esses locais foram milimetricamente escolhidos pela inteligência artificial do Waze. A partir desse piloto, novos pontos de embarques e desembarques se multiplicarão pela cidade.

E assim, e brevemente, São Paulo, via Waze Carpool, poderá consagrar-se como a cidade que atenuou de forma significativa os transtornos do trânsito, pela atitude de paulistanos de nascimento e de coração, de darem e pegarem carona, independente do quanto se vende de insegurança sobre a cidade de São Paulo e sobre o Brasil. Em fim, um movimento a ser observado como referência para uma série de outras iniciativas que empresas e cidadãos deveriam adotar em relação a outros problemas e desafios. Algumas das declarações de Noam Bardin, CEO Waze:

– Sharing World, Sharing Transit — “Não importa se você é rico ou se é pobre. Estamos todos parados no trânsito e na mesma velocidade. De várias maneiras, nós construímos nossas cidades para os carros e não para as pessoas. Então, sem construir novas infraestruturas, sem massivos investimentos em transporte público, em estradas, apenas usando lugares vazios em um carro, podemos melhorar dramaticamente a mobilidade. Não importa quem está dirigindo. Eu, um motorista do Uber, ou um computador. Se não colocarmos mais pessoas nos carros, nada irá mudar.”

– Caronas, a Solução — “O que nos levou às caronas é a percepção de que não há tantos atalhos a encontrar. Nós vamos dar a melhor opção dentro das restrições atuais. Se todos nós usarmos nossos carros de maneira diferente e os assentos vazios forem preenchidos, podemos tirar alguns desses carros das ruas. Essa é a essência.”

– Nosso Inimigo é Você, Sozinho no Carro… — “Não competimos com o Uber ou outras companhias. Nossa competição é o motorista sozinho. Temos que convencer as pessoas a não dirigirem sozinhas. Esse é o desafio mais difícil. Temos que convencer as pessoas a mudarem o que elas fazem todos os dias. Essa é a nossa grande competição.”

– Carros Autônomos… Fala Sério — “Os carros autônomos são, provavelmente, o maior desafio tecnológico da nossa geração. É como a bomba atômica, a internet. Mas, ao contrário dessas tecnologias, que receberam investimentos de governos, eles estão recebendo investimentos de companhias privadas. De qualquer maneira, o desafio tecnológico é apenas o primeiro passo. Uma vez que isso seja solucionado, temos o desafio regulatório.

Quem é o responsável por um acidente? Onde esses carros poderão trafegar? Uma vez que essas questões sejam resolvidas, temos o problema da produção. Há um bilhão de carros no mundo, com previsão de dobrar até 2040. A capacidade total de produção de carros no mundo é de 75 milhões de unidades. Como vamos substituir isso? Não temos capacidade de bateria para isso. Superada essa fase, há o desafio de modelo de negócios. Quem vai pagar de fato por esses carros? Então, todas essas coisas juntas, vão demandar muito tempo até que carros autônomos se estabeleçam. Mas mesmo que eles cheguem amanhã e todos seguirmos dirigindo como hoje, sozinhos no carro, nada irá mudar. É por isso que a carona, que pode acontecer hoje, com a infraestrutura existente, é crítica para fazer essa mudança de comportamento.”

Quem discorda?

 

 

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