Vamos acabar com o hábito de leitura na web?

Não é nenhuma novidade: o brasileiro médio não gosta de ler. A gente nasce, cresce, se desenvolve, e assimila que somos um povo que, por convenção, preguiça ou falta de hábito não faz nenhuma questão de ler.

Com a criação e avanço da internet, e depois as redes sociais, isso mudou um pouco. Pessoas que tinham certa aversão à leitura, não gostavam de materiais impressos, encontraram na tela do computador algo mais amigável e passaram a ler um pouco mais ― refiro-me a ler de maneira geral, não estou me atento à qualidade da leitura em si.

O tempo passou, e o formato de leitura que se estratificou no mercado foi o de livros impressos. Leituras profundas, cativantes, imersivas, aparentemente precisam de algo físico para representá-las; os e-books não pegaram para a maior parte do público. Por outro lado, jornais e revistas, com materiais para consumo diário, informação rápida e de fácil digestão, encontraram na web o local ideal. Claro, se o formato não era dos mais amigáveis, a instantaneidade e rapidez do acesso e disseminação da informação mais do que compensavam.  E aí, tudo mudou…


Passamos a consumir, compartilhar e reutilizar todo tipo e conteúdo escrito. Os sites de buscas nos ajudavam, e uma conexão de internet que era cada vez melhor permitia que lêssemos cada vez mais e variadas informações, inclusive internacionais. Uma beleza!

Gradativamente, a tela do computador passou a ser  deixada de lado e assumimos o smartphone como a tela principal, a número 1, aquela parceira de todas as horas. Convenhamos que, pelo tamanho, luminosidade, brilho etc., não é o gadget mais indicado para a leitura. Paralelamente e motivada por nós, pessoas cada vez mais sedentas por conteúdos às pontas dos dedos, a banda de internet evoluiu ainda mais ― aqui no Brasil é péssima, mas quem sabe um dia seja realmente digna? ― e trouxe com ela os vídeos, que eram inviáveis apenas por questões tecnológicas.

Quem não passa horas por dia consumindo vídeos na internet? Seja no celular, no computador, ou em smart TVs: os vídeos on demand são parte integrante de grande parte da população e crescem em uma velocidade impressionante. Um relatório da Conviva aponta que  foram consumidas mais de 5,5 bilhões de horas de streaming, entre maio e junho de 2018. No mesmo período do ano passado, foram 2,5 bilhões. Isso sem contar os vídeos que recebemos no WhatsApp, por exemplo, que quase sempre são inúteis, mas de alguma forma, tomam nosso tempo.


Nesse contexto, a leitura tem sido atropelada pelo vídeo e tende a entrar em extinção. Inevitável? Fato consumado? Não!

É certo que os vídeos serão cada vez mais importantes para pessoas e empresas, visto sua capilaridade, acesso e digestão. Mas o texto, a magia das palavras, que permitem que cada um de nós “faça o seu vídeo” dentro das próprias mentes, sempre terá seu espaço, sua relevância e seu charme.

Diante dessa realidade, faço um apelo! Cuide muito bem da escrita, seja ela para qualquer plataforma, independente do formato, público ou objetivo. Procure escrever correta e dignamente. Tenho visto pessoas, inclusive executivos de renome, com grande desenvoltura e domínio diante das câmeras, redigindo de maneira infantil, pobre, vergonhosa. A falta de atenção à leitura, então. Um absurdo sem tamanho! Em e-mails de três linhas, existem mensagens que simplesmente se perdem, por pura desatenção de quem escreve ― e muitas vezes, de quem lê.

Os vídeos são muito atrativos, obviamente, mas a comunicação escrita, além de documentar e registrar de maneira única, formam mentes e pessoas mais criativas, críticas e capazes. Textos e vídeos são complementos, partes de um todo, um processo de comunicação em evolução e multiplataforma.

Quer ser melhor, aprimorar-se cada vez mais? Leia!

*Danilo Nardi é jornalista, consultor de marketing e Gerente Executivo Associado da Madia Branding Agency.