Todo dia é quarta feira…

Mais cenas do derretimento, ou parece que agora todo dia é quarta-feira… De cinzas…  E desta vez, do mercado financeiro.

De tempos em tempos escolhemos um setor de atividades, e em conjunto com vocês tentamos aferir e dimensionar o grau e estágio de derretimento em que esse business se encontra. Todos, sem exceção, e neste momento derretem. Em maior ou menor grau de intensidade. Mas, não escapa uma única cadeia de valor. Mas vamos ao derretimento do mercado financeiro…

Todos temos acompanhado a disrupção com o decorrente derretimento de todas as categorias de produtos e serviços, de todas as cadeias de valor, e catedrais supostamente inabaláveis. É assim, assim será, e durante muito e muito tempo. Vivemos a primeira onda de disrupção. Depois teremos uma segunda, a disrupção da disrupção, e assim continuará durante décadas.

Em algum momento, por exemplo, ubers e netflix e spotifies, serão disruptados por outros e novos players da mesma forma como disruptaram os táxis, os estúdios de hollywood e a tradicional indústria das salas escuras de cinema, e as gravadoras e seu sistema convencional de distribuição e venda analógica de músicas.

Semanas atrás, no Estadão, mais uma fotografia da disrupção que se acelera no mercado financeiro brasileiro. A cada semana, uma ou duas agências a menos em cada um dos grandes bancos.  A cada semana, as agências provisoriamente sobreviventes, repensadas e reformatadas. A cada semana, e dentre as agências sobreviventes, muitas ou mudando de endereço ou passando por uma reforma radical com o objetivo de reduzir o espaço – tornou-se desnecessário – e, eventualmente reconsiderando sua vocação e aproveitamento. Sem falar nas duas ou três que mais que disruptadas, são criminosamente explodidas pelos bandidos…

O Santander, por exemplo, está fazendo parceria com algumas franquias e colocando seus serviços dentro de suas agências. Numa delas, onde inclusive existe espaço para locação a profissionais no sistema Coworking, existe um Café Havanna. Já o Bradesco, integrou sua agência da Paulista a Japan House.

O que dizem os números dos 4 grandes bancos, Itaú, Bradesco, Santander e Brasil? O seguinte: De 23.400 agências de 2016, para 21.000 no final de 2018. De 176 mil caixas eletrônicos 2016, para 160 mil no final de 2018.  De 450 mil empregos em 2016, para 400 mil no final de 2018. E nas poucas e novas agências, dos 500 a 1.000 metros de 10 anos atrás, para no máximo 300, hoje.

Mesmo assim esses números estão muito distantes da nova realidade e a caminho. O derretimento ainda não alcançou a velocidade plena. É suficiente atentar para o fato de que a utilização dos serviços bancários à distância – internet, computadores, smartphones, aproxima-se dos 60% do total das transações. Ou seja, ainda existe muito para ser reduzido na malha analógica dos bancos.

E daí?  Daí é o que eu disse no início. Apenas começamos a arranhar os primeiros anos do segundo tempo da história da humanidade. Durante décadas, para alguns, e séculos para nós, teremos um processo de disrupção contínua.

Nada mais é e supostamente definitivo. Antes também não era, mas, durava tanto, que tínhamos essa sensação. Nascíamos e vivíamos com uma mesma organização, marca, produto, serviço.

Acabou. Não existe outra forma de pensar, planejar, agir. O tempo todo tendo em vista, e com a consciência que tudo pode acabar em 2019, em dezembro, na semana que vem, amanhã, quarta-feira… Lembra, na música de Tom e Vinicius, “A gente trabalha o ano inteiro / Por um momento de sonho / Pra fazer a fantasia / De rei ou de pirata ou jardineira / Pra tudo se acabar na quarta-feira…”.

Parece que agora todo dia é quarta-feira.

 

 

 

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