Stella McCartney e o marketing

Mesmo as pessoas que entendem e utilizam com consistência, relevância e eficácia, o pensamento e o ferramental do marketing – Em Verdade, a Ideologia da Empresa Moderna – volta e meia reincidem na prática antiga de tratar O Propulsor dos negócios, do sucesso e da sustentabilidade, como se fosse um truque, trambique, picaretagem; oco e vazio; um estelionato.

Em mãos a revista Wired Jan/Fev 2019, versão inglesa. Na capa a genial Stella McCartney. E lá vou eu todo entusiasmado com a matéria quando de repente, e em meio a uma conversa sobre meio ambiente, Stella sapeca a seguinte afirmação: I Get Frustated That 90 Percent Of Environmental Issues Mentioned In Fashion Are Marketing…

“Sempre me frustro, diz ela, que todas as vezes que se fala sobre meio ambiente na moda é apenas uma atitude promocional, é apenas marketing…”. Não tem jeito. É uma pena, é um absurdo, mas continuam tratando o marketing de forma equivocado e burra. E Stella, que é uma craque, não tinha o direito de expressar tamanha bobagem ou impropério.

Mas, e na distração, escapa…

Durante duas décadas o Marketing foi um ilustre desconhecido. Décadas dos 1960, e 1970. A partir dos anos 1980, pessoas que tinham até medo de pronunciar a palavra rapidamente foram se posicionando no mundo e na vida como se fossem autoridades e dominassem o assunto. E assim o marketing se popularizou, vulgarizou, e passou a ser uma espécie de Judas de todas as coisas ruins que aconteciam em empresas e profissionais – Apreço Zero pela ética e pela responsabilidade.

Foi nesse exato momento que decidiu-se dar uma trégua para o Gerson, que acabou absurdamente convertendo-se em sinônimo de espertalhão, por uma propaganda de cigarro onde o craque da seleção dizia, Gosto de Levar Vantagem em Tudo. E acabou se transformando na Lei de Gerson. Nesse exato momento corrigiu-se a injustiça, deu-se sossego e paz para o craque, e, em seu lugar passou-se a usar a palavra marketing e marqueteiro. Isso é marketing, ou, fulano é marqueteiro.

Muito relacionado com as barbaridades cometidas pelos profissionais de marketing que passaram a prestar serviços aos partidos políticos e mergulharam de cabeça, corpo, alma, no lixo da corrupção escatológica e monumental.

Piadas foram se multiplicando. Como a da mãe com dois filhos que perguntada o que achava sobre o futuro deles, responde, “Dimas vai ser médico, gosta de ajudar as pessoas, é solidário e amigo, e tem muito interesse pelo corpo humano, ciências e biologia. Já o Tibério, que enrola pra burro, que trapaceia no jogo, que engana os professores, e passa colando, sempre… Claro, será marqueteiro…”.

O marketing de verdade está completando agora, em 2019, 65 anos. Nasceu no livro Prática de Administração de Empresas, do mestre e mentor da administração moderna, Peter Drucker. Nesses 65 anos a utilização de seus princípios e práticas, só cresceu de importância, e neste momento alcança seu apogeu. Neste momento de transição, de ruptura, de dúvidas, incertezas, insegurança. A única possibilidade que as empresas têm de atravessar o cabo das tormentas do tsunami que disrupta tudo, é se pensando e planejando de fora para dentro. Sob a ótica do mercado, sob a ótica do cliente. Fora disso não existe nenhuma possibilidade de salvação.

Ao anunciar o marketing para o mundo, nas páginas do livro de 1954, o mestre, Drucker, sentenciou: “Todas as empresas, de todos os portes e especializações, têm duas e somente duas funções. Marketing e Inovação. Marketing para conquistar e preservar clientes, e, Inovação para sobreviver”. Durante 3 décadas fez-se uma leitura débil e menor de que Marketing era apenas uma área nas empresas e um conjunto de ferramentas.

Essa visão menor e restrita ficou para trás quando algumas das empresas de maior sucesso do mundo da velha economia, e todas as de sucesso da nova economia, entenderam que muito mais que uma caixa de ferramentas ou departamento/diretoria, Marketing é uma forma de pensar e planejar e agir. De ver os negócios, o mundo, os relacionamentos, a vida.

É a atitude presente em pessoas e organizações de sucesso de, antes de olhar para dentro e sempre, olhar para fora. De colocar-se permanentemente no lugar das outras pessoas.

É a de ter, incorporar e carregar consigo, pessoas e empresas, uma atitude de permanente empatia. Do Put Yourself in Someone´s Shoes, Colocar-se permanentemente antes e acima de tudo e de todos no lugar dos outros, das outras pessoas, sempre e permanentemente. O verdadeiro marketing é a essência da vida e do comportamento de empresas e pessoas.

No meu caso específico, Madia, mais que ideologia, é minha religião, mas se mesmo assim algumas pessoas insistem em usar a palavra marketing como sinônimo de trambique e picaretagem, que fiquem a vontade. São pessoas despreparadas, ignorantes, mínimas.

Que preferem atribuir a uma palavra, usada de forma tosca e rudimentar, a responsabilidade pelas barbaridades que empresários e profissionais do mal cometem em seu santo e abençoado nome – Marketing!

Para essas pessoas, uma das mais geniais conquistas da humanidade, a Faca, é a responsável por todos os mais hediondos crimes que psicopatas cometem. Ainda que em momentos de normalidade e lucidez, usem a Faca para o que nasceu, foi concebida e destinada. Para possibilitar que, dentre outras coisas, façamos a preparação de nossa alimentação, e que, ao nos poupar tempo, possibilitou que desenvolvemos nossa inteligência, diferente das demais espécies animais, e evoluíssemos e ascendêssemos à Sociedade e Economia do Conhecimento. Como por sinal, e também, nos ensinou o amado mestre, Peter Drucker.

É isso amigos. Não se irritem com os que usam marketing de uma maneira torpe e repugnante. Abarrotada de preconceito e ignorância. Eles são assim mesmo. Use o marketing que você tem dentro de você e coloque-se no lugar deles.

Não obstante a ignorância, merecem respeito. Admiração, jamais. A vida deve ter judiado muito deles para que protagonizem tamanha estupidez. Parabéns, marketing, ideologia da empresa moderna, no momento de seus 65 anos.

 

 

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