Startups Brasil

Nos últimos três anos, recebemos no MadiaMundoMarketing, mais de 2 centenas de empreendedores com uma ideia na cabeça, eventualmente, algumas hipóteses no papel, carregados de entusiasmo, emoção. Queriam decolar, ter seu próprio negócio, converterem-se numa startup de sucesso.

Recebemos a todos com muito carinho e maior respeito e consideração, fizemos uma análise preliminar sem nenhum custo e das 200, umas 180 ficaram pelo caminho, porque absolutamente desprovidas de qualquer possibilidade de sucesso. Às demais, demos uma orientação e hoje trabalhamos para 4 projetos que estão se convertendo em startups com ótimas perspectivas, finalizando os business plans para começarmos o road show e captarmos os investimentos necessários para os estágios seguintes.

Todos os dados disponíveis sobre o tema startups revelavam-se inconsistentes, até a edição da revista Você SA, do mês de abril de 2018. A revista foi atrás de todos os dados e estatísticas disponíveis, conversou com os vencedores, com os que ficaram pelo caminho, coletou a experiência global sobre o assunto, e traçou um perfil atualizado e conciso do que vem a ser o Universo Brasil de Startups 2018.

Nas grandes linhas, 4.273 empresas em 2016, aproximando-se rapidamente das 5.000 neste ano. Concentradas em três estados. 30% em São Paulo, 14% Rio, e 8% em Minas Gerais. Desse total de 4.273, 57% já estão em operação. 22% ainda permanecem no estágio de planejamento. 17% decolaram e buscam sustentação. E 3% delas ainda não passaram das intenções. No tocante ao tempo de existência a maior concentração é entre 2 a 4 anos, 78%.

Das 4.273 e até agora 86% não receberam qualquer tipo de investimento que não fosse o capital, tempo, energia, talento e competência dos empreendedores. Apenas 1% recebeu investimentos de mais de 1,5 milhão de reais.

Por razões que até a razão desconhece, e quem sabe a natureza explique, assim como nos Estados Unidos, mais especificamente na região de San Francisco, as startups são predominantemente masculinas em seu comando: 87% pilotadas por homens e 13% por mulheres.

Dois acontecimentos marcam a evolução desse universo nos últimos dois anos. O primeiro é que a euforia inicial sossegou e o crescimento do número das startups revela-se comedido e orgânico. Não chega a revelar-se estacionado, ainda cresce, mas, muito pouco. Claro, em decorrência do aprendizado da corrida desembestada dos primeiros anos que levou a maioria dos empreendedores a fracassos monumentais.

Muitos deles, perdendo todas as suas economias e ainda se endividando. Quase todos absolutamente encantados e magnetizados pela tecnologia embarcada em suas plataformas, aplicativos, sem lembrarem-se por um único momento que o único entusiasmo que conta nos negócios é o do mercado. Juiz supremo, absoluto e definitivo.

O levantamento realizado por Você SA, quantifica a dimensão do desastre dos primeiros anos das startups. Primeiro, o ciclo de vida, e… Morte das startups. 74% delas fecham em até cinco anos. 18% em até 2. Como comentei há dois parágrafos, 42% por total e absoluta falta de mercado. 29% porque o dinheiro acabou. 23% pela impossibilidade de completar e qualificar a equipe. 19% por debilidade em face de concorrentes. 18% pela incapacidade de construírem uma política de preços consistentes. E 17% porque o produto ou serviço carecia de virtudes.

Claro, respostas múltiplas. Isso posto, somadas todas as mortes e funerais, estamos nos referindo a R$ 4 bilhões que se foram e não voltam jamais. Deixaram apenas um mega aprendizado, claro, para todos aqueles que se dispõem e se abrem para o aprendizado.

E antes de finalizar, duas palavrinhas sobre os tais de Unicórnios… Como é do conhecimento de todos, finalmente, em tese, porque até hoje continuo colocando em dúvida a consistência dos números, o Brasil finalmente produziu seus dois primeiros Unicórnios. Startups que alcançam o valor de 1 bilhão de dólares ou mais.

O criador do termo Unicórnio é a investidora Aileen Lee, que instituiu o fundo de investimento em Palo Alto, Califórnia, Cowboy VC. Em 2013, Lee escreve um artigo com o título, Welcome to the Unicorn Club: “Learning From Billion-Dollar Startups”. Unicórnio, animal mitológico, com o formato de um cavalo, normalmente branco, com um chifre em espiral, difícil de se encontrar…

Assim, os primeiros Unicórnios brasileiros são o aplicativo 99, que há dois meses foi vendido para os chineses, e o Nubank. PagSeguro também poderia entrar na relação, mas a galera exclui porque pertence à uma empresa já estabelecida, o UOL, ou seja, e segundo esse entendimento, trata-se de um produto.

Em síntese, é essa a primeira e grande fotografia do universo de startups em nosso país.

Há 20 anos, tivemos uma primeira rodada de startups. Empresas grandes e consagradas do analógico, com raríssimas exceções, que diziam-se capazes de empreender no digital e tomar conta de seus pedaços específicos em questão de meses, no máximo um ou dois anos.

Arrebentaram-se na arrogância. E assim, assistimos uma sucessão de fracassos onde pontuaram uma Amelia do Pão de Açúcar, e um Banco Um, do Unibanco.

Nesta segunda onda, 20 anos depois, com a democratização e multiplicação das ferramentas e recursos, estamos convivendo com manadas de startups. Ainda com um elevadíssimo índice de mortalidade, e poucos casos de sucesso. Talvez, numa terceira onda, e com o aprendizado das duas primeiras, o índice de sucesso cresça significativamente.

Mas, aí já estamos falando de 2020, em diante.

MML – FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.

 

 

 

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