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Seymour Hersh. O último jornalista?

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Os jovens de hoje, os millennials, e os que estão a caminho, os Alpha, jamais terão a mais pálida ideia daquela que foi uma das mais fantásticas profissões dentre todas. Até nos emocionamos ao falar. A de jornalista.

Ainda bem que existem os livros. E ainda bem que verdadeiros jornalistas decidiram deixar registros e informações para eventuais interessados.

Seymour Hersh, nascido em Chicago, no dia 8 de abril de 1937, é uma referência no e do verdadeiro jornalismo, tendo ganhado prêmios como o Pulitzer de reportagem internacional, O National Book Critics Circle, dentre outros. Foi quem revelou o massacre de My Lai, -Mi Lai- Em novembro de 1969, reportagem que acelerou o fim de uma guerra absurda.

Formado em história pela Universidade de Chicago fez carreira completa em algum dos principais jornais e agências de notícias dos Estados Unidos. Colaborava regularmente com a revista New Yorker. Escreveu oito livros. Até hoje é voz discordante do que foi formalmente noticiado com cobertura da televisão, sobre a morte de Osama Bin Laden. Segundo Hersh: “A versão oficial da morte de Osama foi uma montagem para beneficiar a candidatura à reeleição de Obama que balançava”. A história verdadeira, segundo ele, é que Osama foi capturado por paquistaneses no ano de 2006 e mantido prisioneiro com a ajuda financeira da Arábia Saudita. O assassinato de Osama fora negociado pelos americanos com o governo do Paquistão pelo valor de US$ 25 milhões. E, diferente da narrativa oficial, seu corpo teria sido jogado de um helicóptero na cordilheira Indocuche, entre o Paquistão e o Afeganistão – e não no mar…

Mas, o que verdadeiramente importa para este comentário de hoje, é seu depoimento sobre o sentido da profissão de jornalista, diante das realidades dos tempos em que vivemos. E diante do comportamento pálido, incompetente, superficial, e covarde que testemunhamos, todos os dias, muito especialmente nas televisões, da grande maioria de supostos jornalistas.

Não comentam. Não têm opinião. Não têm preparo. Um bom papagaio seria melhor. Ao menos, divertido. Todos os dias servem café fraco, frio, qualidade zero. Claro, sempre com raríssimas e honrosas exceções.

Em seu livro Repórter, já disponível nas livrarias brasileiras, e lançado no ano passado, é simplesmente irretocável em dar o propósito do jornalista… Diz Seymour:

“Sou um sobrevivente da era de ouro do jornalismo, quando os repórteres dos jornais diários não tinham que competir com as notícias 24 horas da TV a cabo, quando os jornais ganhavam muito dinheiro com propaganda e classificados, e quando eu era livre para viajar para qualquer lugar, no momento que desejasse, por qualquer motivo, com o cartão de crédito da empresa… Havia tempo suficiente para cobrir notícias de última hora sem ter de ficar constantemente relatando as novidades no site do jornal. Não havia mesas-redondas com especialistas e jornalistas na TV a cabo que começam a responder a qualquer pergunta com as duas palavras mais mortais do mundo da imprensa: ‘Eu acho’…!! Estamos saturados de notícias falsas, informações exageradas e incompletas, e asserções falsas feitas sem parar nos nossos jornais diários, nossas televisões, nossas agências de notícia on-line, nossas redes sociais, e pelo nosso presidente”. Sim, é uma bagunça. E não há nenhum passe de mágica nem um salvador à vista para a imprensa séria…

“Os jornais, as revistas e as redes de TV mainstream continuarão demitindo repórteres, reduzindo a equipe e encolhendo o orçamento disponível para uma boa reportagem, especialmente para reportagens investigativas, cujo custo é elevado, o resultado é imprevisível e ainda têm grande capacidade de irritar leitores e atrair processos caros. Muitas vezes os jornais de hoje correm para imprimir notícias que mal passam de indícios ou suspeitas de algo tóxico ou criminoso”.

Neste momento, testemunhamos constrangidos e envergonhados aqui em nosso país, Veja e Folha protagonizaram esse triste papel, convertendo-se em repetidores de bandidos e rackers travestidos de jornalistas. Mas, e continuando com Seymour:

“Por falta de dinheiro, tempo ou de uma equipe habilidosa, estamos cercados por histórias com ‘ele disse, ela disse’, nas quais o repórter não passa de um papagaio.” E termina, cravando o punhal… “Sempre pensei que era a missão de um jornal buscar a verdade e não apenas registrar a discordância.”
ACORDEM FOLHA E VEJA, E ESTANQUEM ESSE EDITORIAL POBRE, PÍFIO E PODRE, E QUE OS CONVERTEM EM BLACKMAILERS DA DEMOCRACIA… EM NOME DE QUEM E DO QUE? QUAL O SENTIDO DO QUE VOCÊS VÊM FAZENDO DESDE 2019? QUAL O APREÇO QUE RESTA PELOS SEUS LEITORES E ASSINANTES?

Assim, e amigos, A IMPRENSA TAL COMO A CONHECEMOS UM DIA, ESSA, ACABOU. Apenas isso. Claro, repetimos, com raríssimas e honrosas exceções.

 

 

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