Sexta-Feira é o dia

Tenho 4 netinhos.

Pela ordem, Isabella, Victoria, Gabriel, Bruno. Entre 10 e 13 anos.

Todas as sextas, procuro chegar em casa antes das 17 horas para conviver de 3 a 4 horas com eles.

Até dois anos atrás, chegavam, conversávamos um pouco, e rapidamente os quatro tinham em suas mãos e na frente uma tela pequena ou média. Ou um smartphone, ou um tablet.

Cada um fazendo uma coisa. Às vezes, dois deles trocando mensagens pelo digital embora a 1 ou 2 metros de distância. Um do lado do outro.

Há dois anos, e depois de alguns papos, decidiu-se comprar alguns dos tradicionais jogos de salão.

Cartas, tabuleiros, e outros mais. Há dois anos não existem mais smartphones nem tablets nas sextas-feiras.

Todos em torno de uma mesa convivendo, compartilhando, jogando, conversando, brincando, divertindo-se. F E L I Z E S. MUITO FELIZES!

Antonio Carlos Brasileiro Jobim estava coberto de razão: “é impossível ser feliz sozinho”.

Lembra, somos seres sociais? Na Veja de semanas atrás, na editoria de saúde, uma matéria de 4 páginas. Título:

BRINCAR É O MELHOR REMÉDIO.

“A Academia Americana de Pediatria recomenda que seus profissionais receitem brincadeiras diárias a todas as crianças – brincadeiras como as de antigamente”.

Depois de sucessivos e recorrentes estudos em mais de uma década a conclusão mais que óbvia:

“Adotem o aprendizado lúdico em todas as consultas com crianças em boas condições de saúde nos dois primeiros anos de vida… O propósito é estimular o desenvolvimento mental e social das crianças…”

Razão? Apenas que as velhas, boas, tradicionais brincadeiras estimulam mecanismos no organismo infantil de uma forma que nenhum outro tipo de atividade é capaz de fazer. Mexem com as funções associadas ao processo de aprendizado, estimulam a linguagem, o relacionamento e a capacidade de resolução de problemas…

Mas isso, dirão vocês, é mais que óbvio. Pois é.

Mas dentre tudo o que tenho aprendido em meus 75 anos de vida, é que o Óbvio talvez seja dentre todas as coisas, a mais difícil de ser percebida, reconhecida, e trabalhada.

Assim, amigos. Vai passar. Nossas crianças voltaram, muito brevemente, a serem e se comportarem como crianças. Precisamos e devemos abreviar esse tempo; cuidar, ajudar, educar, cumprir nosso dever.