Sem fios: coisa para nossos tataranetos

De repente, excepcionalmente, e um ou dois quarteirões, como aconteceu recentemente na Rua Oscar Freire, na cidade de São Paulo, os fios deixaram a paisagem e mergulharam no subsolo. Devidamente enterrados.

E as pessoas ficam encantadas.  E gostariam muito que tudo isso acontecesse em toda a cidade, cidades, estados, países e mundo. Definitivamente, não vai acontecer.

Tirar da superfície e enterrar é muito caro e não há dinheiro nem para isso e nem mesmo para necessidades mais urgentes e prementes, como, por exemplo, saúde, educação, saneamento básico.

O jornal Valor foi atrás e trouxe dados precisos e exatos do desafio que gerações têm pela frente.

Com dados fornecidos pela Eletropaulo, Aneel, Telcomp e Prefeitura de São Paulo.

A propósito, esse não é um desafio exclusivamente brasileiro. É um desafio de todos os países do mundo, em menor ou maior intensidade.

Preparado? Vamos aos números:

O Brasil possui hoje e aproximadamente 48 milhões de postes (áreas urbanas e rurais).

Começa agora na cidade de São Paulo um projeto piloto que pretende enterrar dois mil postes. Lembra, 48 milhões no Brasil, e o projeto piloto inclui e apenas dois mil postes.

Os dois mil postes de São Paulo estão fincados em 65,2 km de ruas. O custo para se enterrar a fiação suportada pelos dois mil postes está estimado em R$ 300 milhões. O que dá, aproximadamente, R$ 2,5 milhões por km de ruas – claro, dependendo do tipo de rede e de enterramento.

Isso posto, seria bom se possível fosse. Mas, e como disse na abertura, coisa para nossos tataranetos.

Ou a alguma descoberta e conquista que possibilite a transmissão de tudo, incluindo energia, Wireless. Para muitos, uma impossibilidade absoluta e definitiva.