Rodeado por nomofóbicos: Talvez, você

“Há pessoas que não conseguem ficar sem o celular nem por um instante. A necessidade de estar conectado ultrapassa todos os limites. Uma pesquisa feita no The Royal Post, na Inglaterra, mostrou que 58% dos britânicos e 48% das britânicas sofrem de nomofobia”.
Roberta de Medeiros, Portal Ciência e Vida

Depois de meia hora de atraso chega o diretor de um dos maiores bancos do país, mais sua assistente, para a reunião. Cumprimentos, cafezinho, e papo esquentando. Sentam-se. Automaticamente depositam o celular sobre a mesa. Ligado. Quase como se tivessem sacado uma arma e engatilhado. Duas horas de reunião e apresentações. Olhos nos celulares e nas pessoas; nos celulares e no vídeo; nos celulares e nas balinhas em cima da mesa; nos celulares, nos celulares, nos celulares… Vez por outra impunham o gadget e disparam, digo, respondem ou mandam mensagens. No carro, na casa, no restaurante, na privada, na vida.

A Nomofobia – (no + mobile + fobia) é o mal da década. Ou, se preferirem, e por enquanto, do milênio. Falando a O Globo, Luciana Nunes, psicóloga do Instituto Psicoinfo, e pedindo ações imediatas e radicais do governo para os milhões de nomofóbicos, relaciona os principais sintomas da nova patologia: Dificuldade indisfarçável em permanecer no off-line; excitação enquanto na web e apagão quando não; Irritação por ter que se desconectar; fuga permanente para a internet diante de problemas, sofrimentos, impotência, culpa, ansiedade, depressão; mentir para os familiares sobre seus hábitos na rede; queda substancial de qualidade nos contatos off-line; lesões nos dedos pelo excesso de digitação… Você é nomofóbico? Se sim, cuide-se. É grave.

Segundo os especialistas trata-se de uma dependência como outra qualquer. Diferente do vício por drogas e bebidas – dependência química – estamos diante de uma grave dependência comportamental. Lembra daquelas pessoas que manifestavam diferentes tiques lá atrás? É por aí mesmo. Semelhante, praticamente igual. E por que? Porque tanto como as drogas, a nomofobia provoca mudanças no cérebro das pessoas. Quase Parkinson…

Assim, e ainda, é tempo; tente o mais rápido possível deixar o vício. Faça uma análise crítica e radical de seu comportamento e adote uma nova disciplina. Da mesma maneira que você mergulhou aos poucos, retorne aos poucos. Vá, sistematicamente, desapegando-se de seu celular ou tablet. Não os leve a todo o lugar. Mantenha-os totalmente desligados durante boa parte do dia. Jamais ingresse numa reunião e o mantenha ligado sobre a mesa e ao alcance da vista. Um dia John Lennon que não era nomofóbico até porque morreu antes, sentenciou: “A vida é aquilo que acontece enquanto você faz planos”. Hoje, se vivo, diria: “enquanto você olha para uma pequena tela ignorando até mesmo as pessoas maravilhosas e lindas que tem a seu lado. Pior ainda, ignorando-se”.

Se você não se importa com você ao menos cuide melhor de sua MARCA.