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Polaroides da pandemia

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Polaroide 1
Suzana Bragatto, de Recife, jornalista, morando em Barcelona, produziu para a Folha, o que intitulou de Diário de Confinamento. Na edição do domingo, 19 de abril, traduziu a nova realidade para todos nós. Segundo Suzana, e quando um novo dia amanhecer seremos todos como os pacientes de câncer em remissão.

Traduzido numa mensagem de uma psicóloga de uma ONG para pacientes de câncer de mama em Barcelona… “O que estamos vivendo não é um parêntese que tenhamos que atravessar o quanto antes para poder retomar nossa vida. Os dias que estamos vivendo são nossa vida agora…”.

E é isso, amigos. Qualquer outra reflexão, pensamento, atitude, fora dessa nova realidade, é fingir que não vê, é não ter consciência, e tentar jogar para frente o enfrentamento dessa nova e única realidade.

Polaroide 2
Alberto Hiar, mais conhecido tempos atrás como Turco Louco da política, próspero empresário do território da moda com a marca Cavalera, e sócio num restaurante – Jamile – com Anuar Tacach e Henrique Fogaça, decidiram, os três, lançar uma vaquinha pelas redes sociais na busca de recursos para fazer Marmitas do Bem. E assim aconteceu. Em 12 dias, produziram e deram 7 mil refeições. E dentre os que receberam, contou Alberto à Folha, a seguinte história: “Nossa uma burrata!”, exclamou um morador de rua ao abrir a marmita e coroando um macarrão com molho de tomate. Perguntei a ele de onde ele conhecia a Burrata? E ele me disse, “trabalhei na cozinha do restaurante Fasano, mas me envolvi com crack e por isso estou na rua…”.

Polaroide 3
A Destruição das Flores
Outra polaroide da qual nos recordaremos com muita tristeza e sentimento dos tempos de coronacrise. O dia em que os produtores de tulipa da Holanda, e seguramente produtores de flores de todo o mundo, destruíram bilhões de flores. Apenas os produtores de tulipa da Holanda destruíram 400 milhões dessas flores. Somados aos demais produtores do mundo o número é de alguns bilhões de flores que jamais tiveram a oportunidade de encantar uma única pessoa que fosse.

A notícia está no New York Times, e revela que um dos primeiros a decidir-se pela destruição de 200 mil tulipas foi Frank Uittenbogaard, dono de uma fazenda de tulipas com mais de 100 anos de existência diante da falta total e absoluta de qualquer alternativa. Nem mesmo tendo para quem dar as tulipas. Ato imediato, todos os demais produtores fizeram o mesmo e 400 milhões de tulipas foram descartadas. Jan de Boer, proprietário de uma empresa de exportação de flores, declarou ao The New York Times, e diante da perda irreparável…“De um lado, tento ficar otimista na medida em que sei que as pessoas precisam de flores para se conectar, ficarem juntas, contar histórias… Mas, por outro lado, pessimista, não conseguindo ver, ao menos agora, como superar essa crise. Se não conseguir de alguma forma compensar os prejuízos estou fora do jogo. Farei o possível e o impossível para sobreviver… mais que dinheiro, o negócio de flores para mim é uma questão de paixão…”.

Mais flores no lixo como comentamos com vocês sobre o espetáculo patético e desalentador que foi o sacrifício das tulipas, na Holanda, em função da impossibilidade de sua comercialização. Hoje comentamos das flores do Brasil. Produções inteiras de floricultores direto para o lixo. Uma das maiores fontes de vendas e consumo de flores eram os funerais. Por essa razão, que muitas barracas de flores ficam nos quarteirões próximos aos maiores cemitérios em todo o mundo. Com a proibição dos velórios… Kees Schoenmaker, presidente do Ibraflor – Instituto Brasileiro de Floricultura – declarou ao Estadão:

“Hoje, 8,3 mil produtores de flores, a maioria do Estado de São Paulo, não tem o que fazer com as flores… No final do mês de março já tinham desligado quase 2000 colaboradores… Só em Holambra foram quase 1.000… Mas todos ainda, e naquele momento, tinham uma esperança em relação ao Dia das Mães… Se nada de positivo acontecer, 66% das empresas associadas irão à falência, o que representaria o fim de 120 mil empregos…”.

2020 não teve Dia das Mães, Páscoa, 7 de Setembro, Carnaval, férias de julho, Dia dos Namorados… Natal… Ou teve e ninguém viu?

 

 

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Octavio, o que tinha tudo para ser, mas acabou não sendo

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