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Paris Air Show

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Quando um fato relevante impacta um setor de atividade, todo o setor treme e todos os players são afetados.

Aguardava-se com grande ansiedade o que aconteceria com uma das mais importantes feiras internacionais da aviação comercial. A Paris Air Show 2019. Há exatos 12 meses.

E a principal razão, como reagiriam todos os players, a cadeia de valor inteira, diante da tragédia da paralização de fabricação e entrega do maior dos best-sellers da história da aviação moderna, o Boeing 737 Max.

No final do último dia do evento, e ao fechar suas portas a conclusão foi unânime: toda a cadeia de valor encontra-se atônita, perplexa, perdida. Ainda não tinha a mais pálida ideia de um tal de Covid-19…

Assim, e se antes da decisão a que a Boeing se viu obrigada a tomar de suspender a entrega dos aviões, a expectativa era de recordes de venda na feira, o resultado final concentrou-se em poucas e novas encomendas, e ainda assim, passíveis de cancelamentos. No total a queda nas encomendas e compras firmes do 737 Max foi de 41% em relação ao ano anterior.

E, uma das mais prejudicadas com essa tragédia, foi a Embraer, que vendeu-se mantendo uma pequena participação para a Boeing – agora em grave crise – para enfrentar sua grande concorrente a Bombardier, que quase dois anos antes, fechou negócio com a Airbus, ou seja, uma parceria mais definida e madura. E mais recentemente, e como sabemos, e diante da monumental crise da Boeing, o negócio com a Embraer foi desfeito…

Enquanto não se encontrar uma solução para os Boeings 737 Max, a indústria aeronáutica como um todo, caminhará em marcha lenta. E, aparentemente, e reiterando o que temos afirmado, não existe solução.

O problema do 737 Max é um erro grave, crasso e bisonho de projeto. Assim, é absolutamente impossível, hoje, colocar-se na ponta do lápis a dimensão do prejuízo já causado pela Boeing a todas as empresas que compraram a aeronave, a toda a cadeia que envolve centenas de empresas na produção do aparelho, aos aparelhos já fabricados e que continuam sendo fabricados e que certamente terão, caso se encontrem uma solução, que serem revistos e consertados, e, principalmente a perda financeira e econômica descomunal pelos milhares de voos cancelados por dezenas de empresas aéreas que apostaram todas as suas fichas naquele que seria supostamente o mais sensacional avião de toda a história.

Se tudo fosse resolvido amanhã, e para suportar os prejuízos já causados, a Boeing precisaria recorrer a recuperação judicial depois de amanhã.

E ainda contar com um aporte monumental de recursos do governo americano.

E o pior de tudo é que não existe a menor previsão se quando, e até mesmo se algum dia, o 737 Max voltará aos céus. Ou se está, definitivamente, pelo açodamento, irresponsabilidade e incompetência, se está definitivamente condenado ao inferno.

Essa era a fotografia de 12 meses atrás. Imaginem agora o drama da Boeing, e de toda a cadeia de valor da aviação comercial em todo mundo. Com mais de 90% de toda a frota estacionada pelos aeroportos sem nenhuma perspectiva de retorno a normalidade ainda neste ano. E perdendo, arredondando, US$ 1 bi por dia…

Curto e grosso, o negócio da aviação precisará, praticamente, recomeçar do zero.

 

 

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