Paquidermes contra a parede

A vida dos paquidermes não anda fácil. No curto prazo, desavisados de todo o gênero ficam impactados com os lucros exuberantes que os paquidermes, ou, novos dinossauros, ainda são capazes de dar.

É o tal do efeito inércia. Ou, a energia decorrente do vácuo. De uma série de movimentações e iniciativas, anos e até décadas passadas, e que agora encontram-se no ápice dos resultados.

Mas, daqui a dois ou três anos, não se colherá uma fruta se quer, de uma árvore que parecia momentos atrás ser de fertilidade infinita. Assim, os investidores estão incomodados. Da mesma forma que os gestores dos fundos a quem confiaram suas fortunas e economias para gestão sobre grande pressão.

Os investidores temem ver parcela expressiva de suas riquezas derreterem junto com o derretimento, por letargia, gigantismo, incompetência e dificuldade de movimentação, dos paquidermes da velha economia. E cansado de ser pressionado por seus investidores, e apenas como exemplo, o fundo Third Point, de Daniel Loeb, depois de uma trégua de um primeiro ano, cobra publicamente o presidente da Nestlé de maior agilidade nos planos e na ação.

O Third Point detém hoje 1,25% do capital da Nestlé, decorrente de investimentos superiores a US$ 3,5 bilhões realizados nos últimos anos. As cobranças do fundo ao paquiderme quase dinossauro Nestlé são as seguintes:

1 – Agir com senso de urgência nas unidades essenciais – alimentos – e desfazer-se, com urgência total, das unidades nada a ver.

Unidades Essenciais: café, produtos para animais de estimação, água e nutrição.

Unidades Nada a Ver: pizza e sorvetes.

Daniel Loeb em manifestação pública disse: “Embora reconheçamos que a Nestlé tem limitações culturais e estruturais peculiares, esperamos agora que o Dr. Ulf Mark Schneider, que já completou seu primeiro ano no comando, e contando com todos os sangues novos da empresa, consiga agir com maior assertividade e determinação”.

E ainda, e com idêntica ênfase, o fundo exige que a Nestlé venda imediatamente sua participação na L’Oréal.  Pondera e cobra Daniel: “Hoje não faz mais o menor sentido deter uma participação minoritária em uma empresa de beleza e muito menos  faz a Nestlé mais forte e competitiva em nutrição, saúde e bem-estar, como ingenuamente se imaginava anos atrás…”.

E nada mais disse. Fez-se o silêncio. E mesmo e diante do absoluto silêncio Mark Schneider e seus demais companheiros de diretoria não conseguem mais dormir em paz. Noites de longas e extenuantes insônias.

A vida dos paquidermes não anda fácil.  A vida de seus dirigentes pior ainda. E só vai piorar. O aguardado momento se aproxima.

Conseguirão os paquidermes reinventarem-se a tempo evitando o processo ainda não perceptível, mas potencialmente acelerado, de fossilização?

Possibilidade muito próxima de zero de acontecer. Talvez, com otimismo, com muito otimismo,  de cada 100 uns 10 consigam se salvar.

Se tanto.

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.