Os últimos expatriados

Em 20 anos, no máximo, os novos alunos de administração e negócios ouvirão falar nas aulas sobre um determinado tipo de profissional que prevaleceu durante 3 a 4 décadas nas grandes corporações.

O expatriado, ou, o sem pátria, ou, para os mais críticos, os mercenários. Decorrentes de uma visão estúpida das grandes corporações que mais globais seriam quanto globais fossem seus principais executivos.

“Bullsheetagem” da Pior Qualidade… E assim, e para presidentes e CEOs dessas empresas nos diferentes países do mundo e na maioria das situações, um expatriado, ou, se preferirem, um estrangeiro.

Tudo o que deveriam ter feito era exatamente o contrário. Retirar os melhores executivos de seu país de origem, durante dois ou 3 anos, para em treinamento intensivo, capacitá-lo e qualificá-lo sobre os propósitos e cultura da organização. E na sequência devolvê-lo para o país que conhece e para o mercado que domina.

Conclusão, tudo o que conseguiram foi produzir presidentes e CEOs emocionalmente desequilibrados, e que em muito pouco tempo perdiam o casamento e a família, e, protagonizavam desempenhos pífios pela impossibilidade absoluta de entender e desenvolver um determinado mercado, de seu total e absoluto desconhecimento, em dois ou três anos. Quando então, era transferido, novamente.

Todo esse meu comentário de hoje refere-se ao novo presidente da Nestlé no Brasil. Finalmente um brasileiro. Mas que fez toda a sua carreira sendo expatriado para cá e para lá. Treinamento estilo joguete!

Marcelo Melchior substitui o atual presidente, e também expatriado e guatemalteca, Juan Carlos Marroquin.

Marcelo ingressou na Nestlé em 1988, pela área de vendas. Depois foi designado chefe de marketing no Peru. De lá foi para a Venezuela para cuidar da divisão de alimentos e bebidas. Em 2003, foi para o México também para comandar alimentos e bebidas. Mais adiante foi designado para o Panamá para um comando de região. Depois foi transferido novamente para as funções de chefe da área de chocolate. Em 2012, virou presidente da empresa no México. E agora, e finalmente, assume a presidência no Brasil.

A pergunta que jamais será respondida é, que Marcelo Melchior, profissional e ser humano é esse que agora assume o comando da Nestlé de seu país de origem? O que restou do profissional? O que restou do ser humano?  Valeu a pena ter pago, pessoalmente, um preço tão elevado, e a Nestlé ter investido tanto, em meu entendimento, de forma esquizofrênica, absurda e não natural?

Esse tipo de entendimento e cultura organizacional, que, repito, em meu entendimento jamais deveria ter prevalecido, vê em Marcelo seus movimentos finais, seus últimos exemplares.  Tristes lições e ótimos aprendizados de como nem preparar e muito menos desenvolver lideranças. Ou, se preferirem, a arte e a ciência de destruir seres humanos…

E pensar que durante mais de cinquenta anos as grandes corporações cometeram essa barbaridade; praticaram esse crime.

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.

 

 

 

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