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Os Smadds, ou, Smartphones addicteds, ou, o preço do cansaço

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Por razões econômicas, sociais, e em busca da igualdade entre os sexos, sempre que necessário e possível, e nos casais de 20, 30 anos para cá, principalmente, pais e mães trabalham. Dependendo de onde e no que trabalham, exaurem parcela substancial de suas energias nas empresas e no caminho de ida e volta, e quando retornam para casa precisam cuidar dos filhos, da casa, e se sobrar algum tempo preservarem um mínimo de chama e da paixão dos primeiros dias e anos do casamento.

E aí chegou a digisfera, a internet, smartphones e tablets, e por sentimento de culpa, ou para que seus filhos não ficassem distantes de seus amigos de escola, com sacrifício, acabaram comprando e colocando à disposição deles alguns desses gadgets da modernidade. E gradativamente, adolescentes e crianças foram alocando parte maior de seu tempo para esses gadgets. E muito rapidamente, muito antes do que se imaginava, tornaram-se dependentes.

Assim, não foi com surpresa que o Brasil acordou semanas atrás descobrindo que 25% dos adolescentes brasileiros são dependentes de internet, segundo pesquisa realizada pela Universidade Federal do Espírito Santo. A partir das revelações do estudo muitas plataformas de comunicação saíram atrás em busca da confirmação. Mais que confirmarem, ouviram centenas de histórias ilustrativas de até onde chega essa dependência.

No Estadão, por exemplo, a história de uma adolescente que os pais, num período muito curto, começaram a se preocupar com a mudança de comportamento da filha, 12 anos; nas primeiras vezes que os pais proibiam de utilizar o computador por uma ou duas horas assustou-se mas, aceitou. Com o correr dos dias, começou a se revoltar; mais adiante passou a xingar seus pais, e, finalmente, a arremessar objetos.

De certa forma, todas as demais histórias são semelhantes e o processo evolutivo da crise é o mesmo. No final dos depoimentos, os pais, via de regra, fazem semelhante afirmação, “Ela tinha um ódio no olhar, ficava totalmente transtornada, deixou de ser aquela menina doce e carinhosa…”.

Em muitas cidades do Brasil, pais de dependentes do digital reúnem-se com regularidade em busca de uma solução para o vício de seus filhos. Na cidade de São Paulo existem dezenas de grupos de pais seguindo o mesmo roteiro. Uma vez por semana reúnem-se para conversar e em busca de uma solução ou atenuante para a grave crise familiar em que se encontram mergulhados, distanciando-se cada vez mais de seus filhos adolescentes.

Todos, sem exceção, quando começam a frequentar esses grupos confessam que a maior preocupação que tinham anos atrás, é que seus filhos tornassem-se viciados e dependentes de drogas. E assim, ficavam contentes de constatar que permaneciam em casa e passavam horas em frente ao computador, no início, e, trancados em seus quartos, mais adiantes, conversando com seus amigos pelos smartphones… Mal sabiam que o novo vício tinha entrada direta na cabeça e coração de seus filhos, e eram considerados bem-vindos porque evitavam que se viciassem em outras substâncias muito mais prejudicial à saúde.

Conclusão, de todas as entrevistas, conversas e pesquisas. Para atenuarem ou compensarem o tempo que passam fora de casa trabalhando, e o cansaço com que chegam, os pais fornecem felizes e inocentemente, a droga para seus filhos. Acessando ao gadget, diminuem as demandas de crianças e adolescentes.

Ou seja, amigos, pais e avós, a tecnologia é espetacular, ótima, definitiva, fez o mundo dar um salto, mas, sem dúvida, escalou espetacularmente nossas responsabilidades. Muitos e mais desafios pela frente. Como resgatar netos e filhos dessa maldita bendita droga chamada smartphones? Será que séculos atrás aconteceu o mesmo com as facas, martelos, tesouras, pratos, e outros gadgets, quando revelaram-se ao mundo?

 

 

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