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Os meninos da Dalva

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Agora tudo é uma festa. Executivos de terno e gravata de patinete pela Faria Lima. Profissionais mais a vontade deixando seus carros na garagem e indo trabalhar de bicicletas. Desde bicicletas e patinetes convencionais, passando, claro, pelos motorizados. Skate já era… Já era?

E aí as empresas de aplicativos invadiram o campo e para ganhar um belo troco decidiram facilitar a vida da galera. Espalhando patinetes e bicicletas pelas principais cidades do mundo de tal forma que cada um pega onde quer e deixa onde quer. Não deveria ser assim. Essas novas empresas nascem desprovidas de educação e civilidade zero. Apertam o F e tocam em frente.

Todas as montadoras de automóveis começando o processo de migração de indústrias que fabricam e vendem, para indústrias que fabricam e locam. E, enquanto isso, e nas margens, dezenas de aplicativos aproximando quem tem um patinete, bicicleta, automóvel, pode disponibilizá-los por dias ou horas, e oferecendo esses veículos para quem precisa.

Enquanto isso o mundo vai se horizontalizando. Pessoas, com um mínimo de juízo, procurando trabalhar em empresas perto de suas casas, ou, e no máximo, exagerando, por qualquer tipo de transporte, uma hora pra ir, outra pra voltar. E, simultaneamente, empresas revendo seus métodos de trabalho, recorrendo a tecnologia, para possibilitar que as pessoas trabalhem a partir de suas casas, ou próximo de.

E de forma ostensiva ou silenciosamente, os modais de transportes, voltados para o delivery, vão inovando, renovando-se, e correndo atrás de cada necessidade assim que se manifesta. Mais alguns dias não será preciso sair de casa para nada. Eu disse, nada. Nem mesmo para Votar…

Voltamos para as cavernas, quem diria. As cidades foram invadidas pelos motoboys de entrega. Ou seja, e de uma forma natural e espontânea, com a horizontalização das empresas, com a mudança na forma de trabalhar, o mundo vai se ajeitando. E, muito rapidamente, essas novidades que chegaram com alvoroço e ganância de investidores iludidos, muitas delas partirão sem deixar a menor saudade.

Por exemplo, o furor dos patinetes não resiste a um ou dois anos. A onda das bicicletas, tal como se apresentam neste primeiro movimento, não resistem a 5 anos, claro, com exceção das cidades onde a bicicleta como veículo de transporte já fazia parte da paisagem, hábitos e costumes.

Mas em meu entendimento o maior absurdo, que nem mesmo decolará como negócio e viabilidade econômica, são os drones para entregas dentro das cidades. E faço este comentário no exato momento em que o Google consegue a primeira autorização de um órgão regulador da Austrália para fazer as primeiras entregas, numa pequena vila onde existem 100 residências. E, depois, e em função da experiência, irá ganhando escala…

Isso, ou quase tudo isso, é de um ridículo monumental. Nos anos 2050 passaremos horas dando gargalhadas sobre alguns gadgets que as pessoas celebraram como se fossem mudar a história do mundo. Patinetes, bicicletas motorizadas, skates elétricos, hoverboards, upriders, tudo não passa de uma aborrecida e entediante piada.

De empresas que mesmo depois de 65 anos de marketing, ainda não descobriram que quem se apaixona pelo produto fica com o produto e é ignorado pelo mercado. A todas essas possibilidades, no capítulo das entregas, a grande revolução continua sendo… Os Meninos!

Dalva tem uma frutaria. Aqui pertinho de casa. Assim como Dalva, “seo” Manoel também tem uma frutaria. E em outros locais de Higienópolis, Santa Cecília, Barra Funda, Perdizes, Dalvas e Manoéis têm suas frutarias que abastecem, com qualidade e calor humano, a vizinhança. Todos, sem exceção, usam o mais fantástico recurso no que diz respeito aos modernos sistemas de logística e distribuição a curtíssimas distância. Os meninos.

Posso garantir a vocês, funciona admiravelmente bem. Falam, olham nos olhos, sorriem, agradecem, ficam felizes com uma pequena gratificação, ajudam em casa, estudam, crescem, e vez por outras os moradores mais antigos esbarram com eles pela vida sem as caixas onde realizavam as entregas, mas agora como profissionais trabalhando em empresas, ou desenvolvendo seus próprios negócios.

Pra que precisamos das tais bicicletas elétricas, dos skate elétricos, dos drones, overboards, e upriders, quando podemos contar com eles, os Meninos?

Em algum momento do futuro, sabe-se lá quando, as empresas e as pessoas começarão a entender o que verdadeiramente é o marketing, e como usado com competência e sensibilidade pode oferecer contribuições econômicas e sociais inestimáveis.

Na pior das hipóteses, reduzindo o grau de desperdício de tempo, energia e dinheiro das empresas com inutilidades. Ainda que engraçadinhas e carregadas de tecnologia…

 

 

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Diário de um Consultor de Empresas – 18/03/2020

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