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O último jornal, ou, minha filha tem que ter ciência que sua herança vai diminuir

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Semanas atrás, Carl Butz, 71, uma espécie de Velhinha de Taubaté – talvez um dos últimos seres humanos a acreditar na ressurreição dos jornais – estava decidido a realizar seu sonho, desde a morte de sua mulher 3 anos antes –, e que era uma dentre 3 alternativas: viajar à Inglaterra, à Letônia, ou conhecer a Ferrovia Transiberiana – quando soube que o mais antigo da Califórnia, do ano de 1853, o semanário Mountain Messenger ia encerrar suas atividades.

O mesmo jornal que publicava as colaborações de Mark Twain, quando ele decidiu esconder-se na cidade durante uns tempos, e fugindo de problemas com a Justiça americana. Quase sempre, escrevia suas crônicas, embriagado.

Num ímpeto irresistível Carl Butz comprou o jornal e suas dívidas pelo que pretendia gastar na viagem: US$ 10 mil.

Na manhã seguinte, e em companhia da editora responsável, Jill Tahija – a única funcionária do jornal – Butz, sentou-se a frente do computador e começou a escrever seu primeiro editorial, ou, carta aos leitores de um semanário que tira 2.400 exemplares e que tem 700 assinantes.

Digitou, “O horrível pensamento de que esta venerável instituição fecharia as portas e desapareceria depois de 166 anos de operação contínua era muito mais do que eu era capaz de suportar… sem nosso jornal, muito brevemente não nos reconheceríamos mais…”.

Perguntado por um jornalista do The New York Times sobre se tinha consciência dos ônus de sua decisão absolutamente irracional e sob o império da emoção, declarou,

“Não chegarei a perder US$ 1 milhão, mas estou consciente que vou ter que subsidiar o custo do jornal… e minha filha já está ciente que sua herança vai diminuir…”.

Segundo as pessoas da cidade, mais que salvar o jornal, Butz comprou mais alguns anos de vida. Desde a morte da mulher, há 3 anos, agonizava…

Infelizmente, queridos amigos, essa é a situação de 99,99% dos jornais sobreviventes. Sensivelmente agravada, agora, pela Covid-19. Os jornais encontram-se no chamado grupo de risco. À semelhança dos idosos. Que ou dependem de um viúvo inconsolável que compra mais alguns anos de vida ao comprar um jornal insustentável, Carl Butz; Ou da generosidade de um mago da nova economia, Jeff Bezos, que acredita ser capaz de tudo, inclusive de salvar uma das maiores instituições da história do jornalismo mundial, The Washington Post.

Se a situação dos jornais e demais publicações antes do coronavírus era difícil, grave… Agora é desesperadora.

 

 

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