O tal do custo Brasil segundo o novo presidente do Bradesco

Como é do conhecimento de todos, Trabuco foi para a presidência do Conselho e passou a presidência do Bradesco para o Octavio de Lazari Junior, um Bradesco de origem, quase desde criancinha.

Semanas depois, Lazari, 54 anos, concedeu uma longa entrevista para IstoÉ Dinheiro. Falou sobre os bons resultados do banco em 2017, e muito especialmente pela contribuição das diferentes áreas em que o Bradesco atua. Mas, na minha opinião, o melhor momento da entrevista é quando o assunto bate nos juros que os bancos cobram em nosso país.

E com a indignação que cresce na opinião pública no momento em que a inflação literalmente despencou, e essa queda não se traduziu no spread – na margem dos bancos. O primeiro esclarecimento que Lazari dá, e com razão, que generalizar-se isso para todas as modalidades de financiamento é um erro gravíssimo.

E é! E exemplifica com o financiamento imobiliário onde o spread bancário é de no máximo 1,5%.

No de veículos, entre 4% e 5%. E situa onde exatamente o spread é um absurdo – operações que envolvem cheque especial e cartões de crédito.

Lazari explica, além do elevado grau de inadimplência, o que determina esses spreads absurdos e que se chama Custo Brasil… Diz Lazari,

1 – “Para cada agência que abrimos precisamos contratar dois homens armados para permanecerem dentro. Isso totaliza hoje um contingente de 14 mil homens só no Bradesco”.

2 – Temos um índice de judicialização gigantesco na esfera civil e trabalhista. Só para vocês terem uma ideia do caos que é a área legal dos grandes bancos, tanto no Bradesco como no Itaú existe um setor de logística para acompanhar cada novo processo que ingressa contra os bancos. Processos de toda a ordem, numa média de mais de 1000 por dia…

3 – Explosões de caixas eletrônicos também estão no spread.  No Bradesco, quando explodem menos de 15 caixas por semana, diz Lazari, comemoramos. A média semanal é entre 17 a 20 caixas.

4 – E para cada explosão, o dano emocional nos funcionários, nos clientes, na população, mais toda a reconstrução da agência… E recuperação emocional de clientes e funcionários… Esse arsenal de imbróglios e caos que o  Lazari  relatou integra o tal de Custo Brasil, repito!

Antes de terminar a entrevista Lazari disse continuar acreditando nas agências analógicas. Que as pessoas ainda preferem se relacionar com pessoas de carne e osso. Mas, e aqui um detalhe da maior importância para o mercado imobiliário.

Toda a Atenção é Pouca! Lazari afirma não fazer mais o menor sentido agências de 1000 ou mais metros quadrados. Daqui para frente, as novas agências terão entre 200 e 300 metros quadrados de área útil. Portanto, mais um desafio para o mercado imobiliário. Que já padece com a fuga das empresas nos imóveis corporativos. Com a crise no país provocando um aumento significativo das famílias que moram de favor e em imóveis emprestados.  E, que, para piorar, e a partir de agora, com a redução substancial do tamanho das agências bancárias…

Lazari restringiu-se a comentar sobre os riscos no andar térreo e no horizonte. Se descesse para o subsolo aí mesmo é que ia engrossar, diante do bando de fintechs que está roendo dia e noite o alicerce das grandes organizações bancárias.

No Brasil, e no mundo.

 

 

 

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