O Sapo SUV

O como nascem as modas e as tendências se encorpam e se institucionalizam. O ano era o de 1933. Ainda sob o impacto da 1ª Grande Guerra a Divisão Chevrolet da General Motors decidiu lançar uma pick-up com cabine estendida, totalmente inspirada e concebida para as famílias residentes nas zonas suburbanas das grandes cidades americanas.

De Suburban, veio a sigla SUV – Suburban Vehicle. Décadas depois relida para Sport Utility Vehicle. Um veículo que fazia sentido em alguns países, com características mecânicas especiais, bom para as cidades, mas ótimo para o campo e regiões acidentadas pelas características mecânicas e motorização, e capaz de enfrentar e superar diferentes obstáculos.

Décadas depois, e na medida em que a vida nas grandes metrópoles perdia qualidade e se deteriorava, as pessoas começaram a ver nos SUVs uma espécie de fuga espiritual ou imaginária.

Continuavam enfrentando os desafios do trânsito, continuavam perdendo, ano após ano, mais minutos, semanas, eventualmente um mês no correr de um ano, mas de alguma forma encontravam compensação no espírito do carro que tinham e onde se sentiam como que enroladas no trânsito caótico das grandes metrópoles, mas numa posição física mais elevada, olhando muitos dos demais motoristas de cima para baixo, com um bom ar condicionado, um ótimo som via de regra sintonizado ou rodando músicas rurais, e aí ficava mais razoável continuar sofrendo na vida maluca dos grandes centros, mas atenuando o sofrimento com o carro, ar, som, e eventualmente um novo dress code, uma nova forma de se vestir com o prevalecimento do tênis, jeans e camisetas.

Gradativamente os SUVs ganharam a simpatia dos homens e a paixão das mulheres. E de um único modelo, saltou para 3, 10, 20, 100, e hoje é o design prevalecente. Praticamente todas as montadoras têm uma ou mais alternativas de modelos verdadeiramente SUVs, ou que emulam SUVs.

Até mesmo os carros pequenos de sucesso e hoje em nosso país têm a pegada SUV.

Isso posto, e nos jornais do ano passado, a informação de que a Ford decidira adaptar seu modelo KA, que tinha uma outra e completamente diferente proposta, para uma versão SUV. E todas as demais montadoras, que ofereciam um único ou dois modelos dentro da tendência, agora prometem mais 3 ou 4.

Ou seja, era uma vez os tais de automóveis. Foram-se. Agora todas as pessoas, ou quase todas, querem ter um SUV.

E assim, uma simples manifestação, devidamente embalada pelas dores, sofrimentos, angústias, desconfortos do caminho e de décadas, acabou encorpando, prevalecendo e deixou de ser a simples manifestação e tendência e converteu-se na realidade.

Todos de olho sempre nas manifestações em nosso campo de atividade que gradativamente vão merecendo uma atenção e preferência maior das pessoas. E que, com o passar do tempo, e ganhando musculatura, podem deixar de ser uma via secundária, e converterem-se na avenida principal.

Se assim acontecer e sempre, temos que nos fazer presente com uma ou mais alternativas daquele produto ou serviço. O Sapo SUV há muito deixou de ser Sapo. É rei e dos mais queridos, desejados, admirados e reconhecidos! Uma espécie de Sapo do Brasil.

 

 

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