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O risco de grandes apostas

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A Bayer não comprou a Monsanto em 2018, enganada. Sabia da dimensão do exposure legal que estava assumindo. Do risco monumental que corria.

Muitos processos em diferentes cortes americanas acusando a Monsanto, pelo seu pesticida campeão de vendas, o Roundup, ser cancerígeno e ter provocado em milhares de pessoas o linfoma não Hodgkin incurável. Um risco legal de centenas de bilhões de dólares.

A compra ocorreu em junho e num dos primeiros julgamentos de agosto, a Monsanto, já uma empresa Bayer, foi condenada a uma indenização de US$ 290 milhões. Em sua defesa a Monsanto, repito, já Bayer, afirmou, “sentimos empatia com o senhor Johnson e sua família, mas defenderemos vigorosamente um produto com 40 anos de história e que continua sendo vital, efetivo e seguro para agricultores… o júri equivocou-se…”.

Apresentados os resultados de 2018, e em assembleia, 55% dos acionistas recusaram-se a ratificar algumas das decisões da empresa, e, assim, manifestaram-se contrários a Bayer ter comprado a Monsanto. Muito especialmente porque nos dias anteriores a assembleia uma suposta outra vítima do Roundup – um casal – ingressou com um pedido de indenização de US$ 1 bi. Em verdade, e com diferentes pedidos, a empresa já enfrenta hoje, e apenas nos Estados Unidos, 13 mil processos. Repito, 13 mil processos semelhantes.

Claro, a Bayer reitera sua confiança no produto, está recorrendo em todos os processos, inclusive no da primeira derrota de uma indenização de US$ 290 milhões, mas os investidores sentem-se incomodados e com uma espada gigantesca levantada na direção de seus investimentos… que poderão converter-se em pó, caso a empresa comece a perder sucessivamente os julgamentos.

No último mês de abril, e em teleconferência com acionistas e gestores de investimentos, Werner Baumann, CEO da Bayer, reiterou que a empresa está absolutamente tranquila e confiante que vencerá todos os processos. Que o Roundup, “glifosato”, é absoluta e comprovadamente seguro.

A tentação da compra da Monsanto era gigantesca e única. Para se ter uma ideia do impacto da compra nos resultados da Bayer, apenas no primeiro trimestre deste ano 70% de todas as receitas da divisão agrícola da Bayer decorrem dos produtos comprados da Monsanto, predominantemente, o Roundup, que continua um recordista de vendas.

E aí fica a pergunta. Até que ponto vale a pena uma marca da expressão, força e qualidade da Bayer, a que criou o mais santo dentre todos os remédios, a Aspirina, assumir um risco de tão grandes e graves proporções?

No momento da compra quase todos os acionistas festejaram. Meses depois, mais da metade revela-se tensa, preocupada e insegura. E não há como resolver essa pendência em menos de 5 a 10 anos. Até lá os incomodados que vendam suas ações, e os mais tranquilos e gananciosos que continuem recebendo robustos dividendos por uma decisão mais que arriscada.

Pergunta, o que vocês fariam? E, se, acionistas da Bayer, como reagiriam? A propósito, a Bayer acaba de perder aquela ação de US$ 1 bi. Uma condenação monumental.

Pior ainda. Ao invés de US$ 1 bi pedido pelo casal da Califórnia, foi condenada a pagar US$ 2,1 bi … A terceira derrota consecutiva, mas, de longe, a com valor mais elevado. Nas duas primeiras a condenação não ultrapassou os US$ 100 milhões, cada.

Claro, e como disse para vocês, e repetindo, a Bayer não comprou enganada e tinha consciência do risco absurdo que corria. Mesmo assim, mereceu aplauso da maioria dos acionistas, mas que agora começam a ficar preocupados.

Dias antes da compra o valor de mercado da Bayer era de € 77 bi. Quando a compra foi concluída saltou para € 88 bi. E agora, no dia seguinte a mais uma derrota na justiça, caiu para menos de € 50 bi, tendo perdido mais de 40% de valor de mercado. Segue o cortejo.

Até onde os acionistas resistirão aos milhares de processos pela frente? A Bayer garante que resistirá e que vai ganhar todas as ações. O tempo dirá. Será que o slogan, Se é Bayer é Bom, continua em pé?

 

 

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