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O mundo cão

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Incrível, mas não me recordo de qualquer pessoa ter contestado essa expressão. Deveriam. Cães são, definitivamente, animais espetaculares.

Num momento da história da humanidade onde se processa uma revisão radical de expressões coloquiais do passado diante de um vendaval do tal do politicamente correto, não sei por que alguém ainda não se rebelou com a expressão Mundo Cão.

E aí as pessoas perguntam ao Madia: “Mas você acha tudo isso de verdade, Porque Você Não Tem Um Cão?” “Porque não sei fazer nada pela metade e muito menos meia boca. Tenho consciência que não teria a menor condição de garantir a qualquer cão o tratamento minimamente respeitoso e digno que merecem. Falta total e absoluta de tempo. Não assumo compromissos que saiba, que tenha certeza absoluta, que jamais serei capaz de cumprir”.

Assim, o Madia prefere admirar a distância e nem mesmo arriscar um carinho sob pena de cair em irresistível tentação. Mas, e como todos devem se lembrar… O Carrefour foi, merecidamente massacrado, na primeira quinzena de dezembro de 2018, pelo que acontecera na sexta feira, 28 de novembro, em sua loja de Osasco.

Um segurança de empresa contratada agrediu e matou a um pequeno e indefeso cão. Tudo filmado. O cão desaparece da tela, e quando reaparece sangra. Manchinha, seu nome, passou a ser o queridinho de milhões de pessoas no Brasil, e fora, também, dada a repercussão do caso.

O jornal de Madri, El País, fez a melhor e maior cobertura do triste e lamentável evento. Em manchete escrevia no dia 6 de dezembro de 2018… “A brutal morte de um cachorro vira-lata em um Carrefour leva o Brasil ao divã. O animal representa uma natureza pura, sem ambiguidade. É o ideal que gostaríamos de ter para a gente. E nos faz sentir mais legais do que somos”, explica a psicanalista Vera Iaconelli.

E aí narra El País: “Os últimos dias vêm sendo de enorme comoção desde que o vídeo da brutal morte de um cachorro vira-lata branco num supermercado Carrefour de Osasco, na região metropolitana de São Paulo, viralizou nas redes sociais. O animal foi espancado e envenenado por um segurança do local no último dia 28, conforme mostram as imagens da câmera de segurança do estabelecimento, e acabou não resistindo aos ferimentos. Internautas, ativistas pelos direitos dos animais, celebridades e políticos vêm se manifestando publicamente contra o bárbaro crime, uma mobilização que fez com que cerca de 1,5 milhão de pessoas assinassem uma petição exigindo a punição do funcionário”.
E completa, “Uma manifestação foi convocada para sábado”. E pergunta-se:
“O que está por trás de tamanha comoção? Em um país estruturalmente tão violento em que barbaridades cotidianas contra seres humanos são naturalizadas, por que as pessoas se sensibilizam dessa forma com a morte de um animal?”
O El País consultou a psicanalista Vera Iaconelli, doutora em psicologia pela USP e diretora do Instituto Gerar, que começou sua resposta, alertando: “Qualquer forma de crueldade contra seres vivos é injustificável e deve ser condenada em todas as instâncias. Mas parece existir certa desproporção com relação à defesa de alguns seres vivos em detrimento de outros, o que mostra que estamos com dificuldade de fazer uma reflexão sobre nossos valores”.
Ela explica que o valor de uma vida humana, de um animal e até de uma planta vai mudando ao longo da história — e estamos em uma época de amplo debate sobre a crueldade dispensada aos animais, incluindo os criados para abate e os utilizados em testes de laboratório. A isso se junta, segundo o diagnóstico de Iaconelli, o fato de os seres humanos estarem num alto grau de intolerância entre si, mesmo diante de dificuldades e histórias de vida. Por outro lado, toda a piedade, comoção, identificação e empatia vêm sendo transferidas para os animais.
Isso acontece, explica a psicanalista, porque os animais, especialmente os cães, possuem uma relação completamente desigual com o ser humano.
Diz a Psicanalista: “O cachorro não te critica. Você chuta ele, mas ele volta. As pessoas estão muito intolerantes umas com as outras e vão tendo com o cachorro uma relação de espelhamento e de conforto narcísico e psíquico. Então, para a nossa vaidade humana, o cachorro nos satisfaz mais como companheiro porque ele não é um interlocutor, não é um crítico, não me confronta comigo mesmo. Ele é capaz de aceitar tudo”, argumenta ela. É por essa relação de “subserviência absoluta” que o cachorro é o melhor amigo do homem, já que outro homem “te obriga a pensar em quem você é”.
O que fez o Carrefour? O Carrefour assimilou, assumiu a culpa de não ter sido mais cuidadoso nas práticas de suas empresas contratadas, e prometeu redimir-se, penitenciar-se, e comprovar isso por uma série de iniciativas e comportamentos.
Sexta-feira, 31 de maio de 2019. Anúncios nos jornais da cidade de São Paulo. “Deixe um Pet Adotar Você” No Carrefour da Marginal Pinheiros, neste sábado, 1 de junho, evento de adoção, das 11 às 18 horas. Diz o anúncio: “Nesse dia, todas as vendas dos produtos pet dessa loja serão revertidas para o Instituto Luisa Mell”. E no rodapé do anúncio, um Q.R. Code “carrefourpelosanimais – saiba mais”.

Lição magistral de branding. Poderia ter se defendido, negado, atacado, mas, como fazer isso diante de um cão indefeso, sangrando e morto?

Assumiu, aproveitou a lembrança na cabeça e no coração de milhões de pessoas, lembrança que não morre nunca, e comportou-se de forma digna e brilhante. À semelhança do que nos ensina o Jiu-Jitsu, reverteu, a seu favor, a descomunal força em contrário.

Segundo as autoridades em lutas marciais, “Durante a guerra de Samurais, muitas vezes, os contendores jaziam no campo de batalha e sem suas espadas”. E aí, dizem, nasceu o Jiu-Jitsu. A essência é utilizar a força do oponente a seu favor… Em japonês, Jiu significa suavidade, brandura, e Jutsu, arte. A Arte da Brandura, da Delicadeza…

É assim que empresas modernas e responsáveis devem proceder, sempre! Hoje, um dos melhores exemplos e citações das palestras do MadiaMundoMarketing: “Branding, o Sentido da Vida de Produtos, Empresas e Pessoas”.

Manchinha e Carrefour, Lição definitiva de Branding de excepcional qualidade. Em tempo, o Carrefour foi condenado pela justiça e depositou R$ 1 milhão em um fundo para cuidado a animais criado pelo município de Osasco, na Grande São Paulo.

 

 

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Diário de um Consultor de Empresas – 11/03/2020

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