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O marketing e a faca

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“O inocente caminha com tranquilidade”.

Pensamento hassídico

“Homem é morto a facadas em briga de trânsito”.

No último dia de janeiro de 2012, um homem foi assassinado a facadas na ponte do Tietê, zona leste da cidade de São Paulo, após uma briga de trânsito. Essa mesma faca, no dia anterior, fora utilizada pela esposa do assassino, no preparo dos pratos que encantaram filhos, noras, genros e netos, no tradicional almoço de domingo. Assim, não faria o menor sentido atribuir-se à faca a causa da tragédia.

As pessoas que verdadeiramente fizeram do marketing, mais que uma profissão, uma filosofia empresarial e de vida, desenvolveram o comportamento de sempre procurarem se colocar no lugar do outro. E atentar, procurar compreender e respeitar, porque as pessoas se comportam como se comportam. E sempre, e para sempre, respeitar cada pessoa como é. Assim, todas as vezes que um irresponsável, bandido, corrupto ou corruptor, recorre a técnicas e ferramentas de marketing, a responsabilidade é exclusivamente dele; tanto quanto do marido ensandecido que usou a faca que na véspera produzira o encantador e feliz almoço do domingo da família.

Dois anos e meio depois, também num domingo em que as famílias se reúnem para celebrar o amor e a vida – ainda que vez por outra se desentendam –, o Estadão abria a página A22 do caderno Metrópole com a seguinte manchete: “Marketing é Receita para Filantrópicas fecharem no Azul”. Ou seja, o conhecimento, as técnicas e as ferramentas do marketing utilizadas para o mais nobre dos propósitos e para os quais foram concebidas e organizadas por Peter Drucker. Um homem cordial, generoso, abençoado. Um sábio.

Na matéria, assinada por Fabiana Cambricoli e Sandro Villar, histórias de organizações que sobrevivem por recorrerem ao marketing em suas buscas intermitentes por recursos: “O marketing garante mais doações para hospitais; no GRAAC, por exemplo, dois terços da receita vêm de ações promocionais”.

No corpo da matéria, exemplos emblemáticos e sinalizadores da importância das instituições, assim como das empresas, induzirem uma cultura de Marketing em sua gestão, pessoas, iniciativas: “Se os repasses governamentais não são suficientes para manter as contas dos hospitais filantrópicos em dia, algumas entidades conseguiram melhorar as finanças e até trabalhar no azul criando estruturas de Marketing especializadas em aumentar a arrecadação por meio de doações”.

Dentre os exemplos trazidos pela matéria, os do GRAAC, Hospital do Câncer de Barretos e Santa Casa de Presidente Prudente: “No Hospital do Grupo de Apoio ao adolescente e à criança com câncer (GRAAC), campanhas, eventos e promoções garantem R$ 38 milhões por ano em doações, o equivalente a dois terços de toda a receita da unidade. No Hospital do Câncer de Barretos, shows com artistas famosos conseguem diminuir o déficit mensal, Na Santa Casa de Presidente Prudente, as obras de ampliação e reforma do hospital são feitas graças as campanhas de arrecadação de doações…”.

Assim é o marketing; esse é o verdadeiro marketing. Tão eficaz e relevante como uma prosaica faca. Claro, dependendo de quem domine e utilize, Eticamente, todas as suas infinitas possibilidades.

*Francisco Alberto Madia de Sousa é advogado, Diretor Presidente e Sócio do MadiaMundoMarketing e Presidente da Academia Brasileira de Marketing (ABRAMARK).

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