O Mapa da Desigualdade

Estamos cansados de ouvir falar em desigualdade. E se nada fizermos, se não nos manifestarmos, agirmos, e de forma conjunta e solidária não mergulharmos de cabeça na busca de uma solução, a única certeza que temos é que a desigualdade só tende a se exacerbar, aumentar… Explodir!

Semanas atrás, um retrato trágico e cruel da desigualdade em nossa cidade. E, dentre as vítimas, muitos de nossos queridos amigos e parentes.

São aqueles que moram longe e morrem antes e cedo. Estão do nosso e ao nosso lado. Olhe você agora, ao seu lado, devem existir uns dois ou três nessa situação.

Trabalham na mesma empresa que trabalhamos. Ou, e outros, prestam serviços para nós. Na aparência semelhantes a nós. Sorriem. Estendem a mão. Dizem bom dia, Parabéns e Feliz Natal. Apenas moram longe e pior. E por isso estão condenados a partir antes. Morrer cedo.

Essa é a revelação de mais uma rodada do Mapa da Desigualdade sob a responsabilidade da Rede Nossa São Paulo. Nos jornais que noticiaram mais uma rodada da pesquisa, os dados do Desigualômetro. Uma espécie de métrica da desigualdade.

E quando se chegou aos números da mortalidade, ou de expectativa de vida nos diferentes bairros da cidade, ninguém mais conseguiu prestar atenção em qualquer dos outros índices. Todos se revelaram patéticos e revoltados no primeiro momento; e, na sequência, envergonhados.

Dependendo do bairro onde você viva na cidade de São Paulo, sua expectativa de vida pode ser, arredondando, 20 anos e pouco a mais, e ou, vinte anos e pouco a menos de vida. Os dois extremos no Mapa são Jardim Ângela X Jardins.

Residentes do Jardim Ângela morrem em média com 55,7 anos de vida.  Dos Jardins, com 79,4 de vida. Ou, quem mora nos jardins, na média, vive 24 anos a mais, arredondando, do que os que moram no Jardim Ângela.

Os índices de mortalidade precoce são maiores nos bairros de Jardim Ângela, 55,7; Anhanguera, 56,4; Cidade Tiradentes, 57,3; Lajeado, 58,1; e, Grajaú, 58,2.

Os de longevidade são maiores no Jardim Paulista, 79,4; Moema, 79,2; Consolação, 78,9; Pinheiros, 78,7; e, Itaim Bibi, 78,6.

Pobres e distantes têm índices de mortalidade infantil muito maior que os do Jardins. E, quando ultrapassam a infância e chegam à juventude, piora; morrem aos borbotões. E fez-se o silêncio.

É isso mesmo? Eu precisava compartilhar isso com vocês.

Como se não bastasse, e para os que moram longe, as apólices de seguro custam muito mais caro, vivem horas a menos a cada dia pelas 2, 3 e 4 ou mais horas mortas nos transportes de ida e vinda.

E tudo é mais caro nos supermercados. Aqui, na Madia, alguns de nossos queridos colaboradores, compram na feira livre da Barão de Capanema, Jardins, porque os produtos são melhores e mais baratos do que o da feira nos bairros onde moram…

Tomara que Deus exista.

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM