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O mais importante Filme do Oscar 2020

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O mais importante filme do último Oscar não foi um filme. Um documentário. Realizado por uma dupla de veteranos diretores – Julia Reichert e Steven Bognar, é, de certa forma, a extensão de um ensaio que fizeram anos atrás – “The Last Truck” 2009, e por ocasião do fechamento de uma fábrica da GM e em decorrência da crise das hipotecas do ano anterior, 2008.

Em maio de 2018, a Netflix fez uma parceria com o casal Michele e Barack Obama e muitos filmes encontram-se em processo de produção nessa nova empresa. Até que tomaram conhecimento do filme de Julia e Steven, que acabara de vencer o prêmio de direção na categoria melhor documentário americano do Festival de Sundance. E decidiram que esse seria o primeiro produto da parceria. Compraram os direitos, está na grade do Netflix, concorreu e venceu o Oscar de documentário, e é, de longe, pela temática e narrativa, O MAIS IMPORTANTE FILME da atualidade, claro, em nossa opinião de consultores de empresas.

Se alguém quer inteirar-se do maior desafio que teremos pela frente, mais que recomendo assistir “Indústria Americana (American Factory)”.

O monumental choque cultural que eclode quando uma empresa chinesa decide reabrir uma velha instalação da GM. A empresa a Fuyao – empresa líder mundial na fabricação de vidros para automóveis – e resgatar para dois mil americanos os empregos perdidos com o fechamento da unidade da GM. E escancara o maior desafio que nos aguarda ainda nestes anos 2020.

Vamos tentar ser concisos. O tsunami tecnológico possibilitou um aumento no ritmo de tudo de forma inimaginável e imprevista. Duas palavrinhas traduzem essa positiva alucinação. Escalabilidade e exponencial.

Mas, positiva, apenas mais adiante. Depois… Nos primeiros anos uma crise econômica sem precedentes. O tsunami tecnológico produz dois fenômenos. O primeiro, o ruim, que elimina milhões de empregos. Alguns meses e anos antes do segundo. E o segundo fenômeno, o que joga todos os preços para baixo. Tudo fica absurdamente mais barato e acessível. Só que, os empregos acabam antes. Assim projeta-se um gap socialmente cruel entre as duas e novas realidades.

Na medida em que todos sabem que isso é inevitável, a ONU há muito já deveria ter convocado uma nova conferência semelhante a que aconteceu no ano de 1944, no final da Segunda Grande Guerra em Bretton Woods, e procurando colocar um mínimo de ordem numa economia mundial em frangalhos. O impacto da tecnologia a partir da virada do milênio, ainda que não derramasse uma única gota de sangue e sem fazer barulho, é infinitamente maior do que foi o da 2ª Grande Guerra.

Assim, a economia mundial mais que carece de uma nova regulação. Precisa muito menos de Fórum Econômicos de Davos onde pavões se exibem numa espécie de baile da fantasia, e muito mais de uma versão atual de Bretton Woods para reconstruir a ordem econômica mundial, e atenuar ao máximo a crise social que viveremos nos próximos anos.

E esse é o grande mérito do filme a Indústria Americana. A dificuldade praticamente intransponível de um empresário maluco chinês que decide resgatar uma fábrica dos Estados Unidos, e encontra uma comunidade de desempregados americanos que ainda não acordou para essa nova realidade da economia mundial.

Se você quer se preparar para aquele que será o grande tema daqui para frente em termos sociais e econômicos, mais que obrigatório assistir o documentário Indústria Americana. De longe, e em termos de importância, o filme que mais recomendamos dentre todos os que concorreram ao Oscar 2020.

A consciência das dificuldades que teremos em encarar uma nova e dura realidade no início – alguns anos – para e depois retornarmos a linha de evolução que caracteriza a história dos seres humanos na terra.

 

 

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Diário de um Consultor de Empresas – 13/08/2020

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