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O emagrecimento das caixinhas

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Em muitas profissões, e no correr de décadas, uma parte significativa do ganho decorria das caixinhas, gratificações, ou de uma forma mais chula ou, no popular, gorjeta.

E, de repente, com a mudança de hábitos, com a modernidade, as caixinhas foram naturalmente reduzindo de tamanhos, e hoje têm apenas um valor simbólico para os prestadores de serviços que em passado recente complementavam sua renda com esses trocados.

Várias razões determinando o emagrecimento e debilidade das caixinhas. Especificamente, nos últimos 5 anos, a crise conjuntural brasileira, o desemprego brutal, fazendo com que a maioria das pessoas reconsiderasse as moedas do troco. Agora, então, com a pandemia, secaram de vez.

E simultaneamente e em muitas atividades, o prevalecimento do pagamento com cartão de crédito, e onde é possível o prestador de serviços digitar o valor certo, com os centavos, terminando com a possibilidade da caixinha. Nas moedas, mais…

E, ainda, os aplicativos, uma tragédia ainda maior para alguns prestadores de serviços, que não só perderam a caixinha como ainda tiveram que dividir parte do ganho com os aplicativos, caso dos taxistas, restaurantes e lanchonetes.

As listinhas de prédios para os funcionários minguaram e mesmo os que dão alguma coisa, reduziram a generosidade de forma significativa. E por fim, e talvez a mais melancólica das caixinhas, a dos entregadores de jornais e revistas de assinaturas.

Chega o mês de dezembro e junto com os jornais de cada dia ou as revistas de final de semana, cartões anexos. Como os que guardo comigo e na minha mesa, e que vieram juntos com a Veja, Época, Estadão, O Globo, dizendo:

“Prezado assinante, que a Paz, o Amor, a Saúde, a Prosperidade, se façam presente em seu lar e pelos caminhos que passar. Feliz Natal e Próspero Ano Novo. É o que deseja o entregador de sua revista, Adamastor…”. Me lembrei de Camões, dos Lusíadas, Cabo da Boa Esperança, e do gigante Adamastor…

Já começa que era difícil com as pessoas cruzarem com os entregadores que via, de regra, prestam seus serviços pela madrugada. Agora mais ainda na medida em que nos últimos 5 anos, mais de 50% de todas as assinaturas foram canceladas.

Ou seja, que ninguém mais conte com a caixinha do que quer que seja para complementar o orçamento. O hábito de gratificar-se vai deixando o mundo em que vivemos… A tecnologia, acrescida da falta de reconhecimento e compaixão, ferrou os entregadores do que quer que seja.

 

 

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Diário de um Consultor de Empresas – 02/09/2020

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