O derretimento dos fundos de pensão

As grandes empresas ligadas ao Estado brasileiro – Caixa, Correios, Banco do Brasil, Petrobras – notabilizaram-se nas últimas décadas pelo patrimônio, força e importância dos fundos de pensão de seus funcionários.

Previ, Banco do Brasil, Petros, Petrobras, Funcef, Caixa, e Postalis, Correios. Fundos de pensão esses que, de certa forma, estendiam os tentáculos do Estado a empresas privadas, por orientação de seus gestores, e na compra de fatias importantes de ações dessas empresas.

E aí veio a corrupção desbragada, pornográfica e escatológica, e por gestão criminosa, esses fundos foram saqueados. Assim, em todos, além das providências radicais no fortalecimento das normas de suas governanças, a exigência de aumentos substanciais na contribuição dos funcionários dessas empresas para que os recursos não “morram” antes da morte de seus beneficiários.

A título de exemplo, um rápido passar de olhos sobre o Funcef – Fundos dos Funcionários da Caixa. Hoje o fundo tem um patrimônio de R$ 60,3 bi. A maior parte aplicada em renda fixa, 35,9 milhões, 13,5 bi em ações, 5,1 bi em imóveis, e o restante em outros. Essa montanha de dinheiro pertence, e é para garantir a aposentadoria de 135,9 mil associados. E em todos os últimos anos vem registrando déficit.

Pagando mais, do que deveria, para poder garantir, aos que se aposentarem por último, que terão o que receber. Que o fundo de um poço seco de dinheiro, não se revele com ainda milhares de funcionários aposentados, nas filas, e aguardando a vez.

No ano passado os associados aposentados receberam um total de R$ 5,1 bilhões. É suficiente dividir-se o patrimônio de R$ 60, bi, mais prováveis rendimentos, por R$ 5,1 bi para se descobrir que se nada for feito em menos de 20 anos não existirá mais como honrar o pagamento das aposentadorias.

Essa situação é semelhante nos outros fundos, e particularmente dramática e mais grave no Postalis, dos funcionários dos Correios. E assim, não é suficiente mudar e aumentar o rigor das normas de governança desses fundos. É essencial colocá-los distantes e blindados de qualquer influência política. De mantê-los a milhares de quilômetros de distância.

Sob pena de daqui a poucos anos constatarmos que ao invés de se resolver, agravou-se o problema, aumentou-se o rombo.

O que os políticos fizeram com os fundos de pensão dos funcionários dessas quatro empresas é crime odioso, inafiançável, brutal. E, portanto, mais que merecem passar muitos anos na cadeia. Se possível, todos os anos que lhes restam.

Até porque e ainda não temos pena de morte…

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.