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O CHATO DO LOBATO

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Vou aproveitar o retorno à mídia do Monteiro Lobato para tornar público aquilo que sempre pensei sobre o famoso escritor brasileiro: um chato.

Nenhum dos livros de Monteiro Lobato, os quais fui obrigado a ler na infância, me inspiraram em nada e, por pouco, não contribuíram para minha aversão à leitura.

Seus personagens são previsíveis, suas histórias maçantes e seu texto namora com o incompreensível. Portanto, para mim, não se justifica a grita de alguns letrados brasileiros a respeito da recomendação para que o livro A Caçada de Pedrinho seja retirada da lista de leitura sugerida nas escolas públicas por seu texto racista.

Ninguém, minimamente conhecedor da obra de Monteiro Lobato, duvida que em seus textos existam afirmações de cunho racista ou preconceituoso, visto que foi dessa forma que o autor sempre se posicionou.

Foi de maneira destemperada e preconceituosa que o Lobato criticou através de artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo uma exposição de inspiração modernista, centrando fogo especificamente na jovem Anita Malfatti que, depois do episódio, por seu caráter sabidamente tímido, mergulhou em profunda depressão.

Na época, o hoje defendido Lobato, titulou seu artigo de Paranóia ou Mistificação e não poupou agressões aos jovens que começavam o movimento modernista brasileiro.

A Caçada de Pedrinho foi escrito em 1933 e só por isso merece ser revisto da lista de obras recomendadas. Além das passagens que, hoje em dia, sugerem a forma pouco cortes do autor tratar mulheres e negros, o livro está ultrapassado e nossos jovens podem ser privados de sua leitura sem nenhum comprometimento a sua formação intelectual, por mais que isso incomode os paladinos da justiça de plantão que, em tudo, vêem inspiração censora.

Retirar um livro de 1933 da lista de leitura recomendada para jovens do ensino fundamental não é censura. Reler a obra de Monteiro Lobato e identificar sua mediocridade e racismo também não.

Minha geração, além de ler Lobato foi submetida a sua adaptação para a televisão. Pois nesse caso ficou evidente o pouco apelo de seus personagens e a chatice de seus textos. Nem a trilha do Gilberto Gil salvou a versão que se transformou, rapidamente, naquele rito de passagem entre a programação da tarde e a novela das 18 horas. A hora do banho.

Lobato teve uma vida controversa. É difícil saber o que pensava ou defendia. Em um dos seus textos encontra-se uma definição sobre a evolução das coisas e sobre aqueles que são contrários às mudanças: “O grande erro dessa casta de homens é confundir corrupção com evolução. Condenam as formas novas de vida, que se vão determinando em conseqüência do natural progresso humano, em nome das formas revelhas. Logicamente, para eles, o homem é a corrupção do macaco; o automóvel é a corrupção do carro de boi; o telefone é a corrupção do moço de recados”.

Os que hoje criticam a recomendação da Secretaria Especial da Igualdade Racial sobre a retirada do livro de 1933 da lista de leitura pensam que isso é a corrupção de Monteiro Lobato. Pois não é. É só evolução.

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