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Navegando na escuridão

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Durante 5 anos a internet engatinhou. 1995 a 2000. Em 1998, 1999, alguns empreendedores ficaram mais assanhados, decidiram pisar no acelerador, e, em poucos meses, a primeira bolha do recém-nascido ambiente digital eclodiu. Dezenas de novas empresas ficaram pelo caminho. Em especial, e para sempre marco dessa primeira bolha, o portal Amelia do Pão de Açúcar, e o Banco Um do Unibanco.

Hoje, 20 anos depois, nos aproximamos da eclosão de uma segunda bomba. Duas dezenas de supostas bigtechs de diferentes setores de atividades, muito especialmente as conhecidas como OPORTUNISTAS, tem seus dias contados. Mas, e, em paralelo, e com as plataformas digitais de comunicação, com a fragilização das plataformas analógicas, e com o prevalecimento de meia dúzia de players que se auto-auditam, que dizem o quão importantes são, vivemos nessa segunda bolha, uma sensação específica que toma conta de parcela expressiva dos profissionais das empresas, que por timidez ou vergonha, ou até mesmo para preservarem seus empregos, fingem que estão entendendo tudo, testemunham sobre a veracidade de dados sobre os quais não têm a mais pálida ideia, e, pior ainda, revelam-se perdidos diante do vendaval de dados e informações que aterrissam em suas mesas todos os dias.

Curto e grosso. O ambiente digital é um breu só. As plataformas digitais de comunicação são potencialmente eficazes para disseminar instantaneamente e grupos expressivos de pessoas informações, mas, a comprovação dessa capacidade é de uma precariedade pior do que era no tempo exclusivo das plataformas analógicas, e nas medidas eventuais dos institutos de pesquisa.

Antes faltava informação. Navegação às cegas. Hoje sobram informações de quase zero de credibilidade porque viciadas de interesses. Prossegue a navegação à cega só que com direito a tontura. Os responsáveis pela comunicação nas empresas, parcela expressiva dos profissionais de marketing, quando em momento de total sinceridade, revelam-se perplexos… E, sozinhos, têm sucessivas crises de choro…

Antigamente dizia-se que 50% do que era investido na publicidade funcionava, e 50% não. O difícil era de se saber quais dos 50% funcionavam. Hoje a situação é pior, nada se sabe e tudo se imagina. E, enquanto isso, mais vezes por dia, dados e mais dados despejados nas áreas de marketing das companhias.

Entre os meses de junho e agosto do ano passado, o instituto Kantar realizou e divulgou o estudo Global Getting Media Right. Foram entrevistados 486 profissionais de marketing em cargos sênior. Maior dificuldade: não sabem o que fazer com os dados e muito menos como ter insights. Menos de 10% dos entrevistados declararam conseguirem fazer alguma coisa com os dados…

Sobre a pesquisa, assim pronunciou-se Maura Coracini líder da área de mídia & digital da Kantar: “O cenário de mídia está cada vez mais fragmentado. A medição perfeita, embora ideal, ainda não existe e temos muitas formas de medição que não conversam uma com as outras…”. Ou seja, quando a profissional responsável pela área na Kantar faz essa afirmação é sinal que o breu é infinito e que a maioria das empresas navega na maior escuridão…

Conclusão 1, amigos, o culto da tecnologia, a evolução das plataformas, as possibilidades inerentes e decorrentes do microchip, são absolutamente ilimitadas. Pode-se tudo, e a galera da tecnologia pisa no acelerador.

Já a cabeça dos humanos não funciona na mesma velocidade, está bloqueada por pressupostos e experiências passadas que inibem e constrangem, e não há no curto prazo nenhuma perspectiva de se atenuar esse problema.

Conclusão 2, a segunda bolha da internet, ou do digital, que vai explodir até 2022, de um lado devastará sob o viés econômico centenas de empresas da nova economia pela absoluta inexistência de viabilidade econômica. E por outro, determinará o desespero e o reconhecimento de incapacidade, de milhares de profissionais, que jogarão a toalha, e se reconhecerão absolutamente incapazes de conviver e sobreviver nessa nova realidade de dados em sangria desatada. Inevitável, tinha que acontecer. E, mais adiante se recupera uma situação de equilíbrio, deixando uma multidão de mortos e feridos para trás.

Por outro lado, e especificamente em relação à constatação da pesquisa da Kantar, e que aponta a dificuldade dos profissionais terem insights, isso tem a ver não apenas com a enxurrada de dados que sufoca e alucina, mas, e principalmente, com a falta de preparo e principalmente cultura, experiência e conhecimento desses profissionais.

Insight é faísca. O choque do que vem de fora com o que temos dentro de nós. O que vem de fora é apenas o estímulo ou o tipping point, a maior parte do insight é uma nova visão, leitura, sentido, interpretação, de tudo aquilo que já carregamos conosco, em decorrência de nossa caminhada pela vida. Pessoal, e, profissional. Conhecimento empresarial, organizacional, gerencial, em decorrência da trajetória profissional.

E conhecimento humano, decorrente da riqueza intelectual de nossas vidas. Apenas isso, ou, tudo isso.

O que vem de fora é poderoso e disruptor. O que está dentro, em mais de 90% das situações para ser otimista é, no mínimo, medíocre. Intelectual e culturalmente o ser humano não estava preparado para a revolução tecnológica. Com raríssimas exceções…

 

 

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