Momento de decisão

O ano era de 1965. Minha irmã, Luiza, decidira fazer Medicina.

Como ainda é até hoje, matriculou-se no Curso Preparatório 9 de Julho, mais adiante rebatizado de Objetivo, preparando-se para o vestibular.

Todos os sábados ia levá-la e buscá-la no fusquinha de nosso saudoso pai, no cursinho, que ficava na rua Tamandaré, Liberdade, São Paulo.

Os sócios do 9 de Julho eram João Carlos Di Genio, Dráuzio Varella, mais os médicos Roger Patti e Tadasi Itto.

Em pouquíssimo tempo era o cursinho melhor avaliado da cidade para quem pretendia cursar medicina.

Cada um dos sócios seguiu seu caminho. Di Genio continuou. Sabia que o futuro de seu negócio passava por Brasília. Criou, implantou e desenvolveu um dos mais eficazes polos de lobby dentre todas as empresas brasileiras.

Que muitos até hoje criticam e condenam, mas, que deu certo.

Corta para 2018. Hoje o Objetivo converteu-se na Unip – Universidade Paulista, o terceiro maior grupo privado de ensino do país.

Atrás apenas da Kroton e do Estácio, grupos decorrentes de sucessivas aquisições e consolidações.

Totalizou 403 mil matrículas em 2016, detém 6,6% de todo o mercado, faturou R$ 2,6 bilhões. E agora, aos 78 anos de idade, Di Genio precisa decidir.

Praticamente descartada uma eventual possibilidade de sucessão familiar diante da pouca idade de seus filhos. Por outro lado, uma eventual venda teria hoje um número limitado de interessados já que o Cade certamente vetaria sua compra tanto pela Kroton como pelo Estácio.

Talvez o caminho seja o de abertura de capital, mas num momento onde começa a se questionar o futuro das instituições de ensino dentro do formato atual.

Di Genio terá que tomar essa decisão em 2018. Mesmo e agora sabendo e consciente que o melhor momento para uma eventual venda ficou para trás. Alguma coisa vai acontecer.

Mas sob a luz da realidade e dos dias de hoje, independente dos lobbys e métodos do Di Genio, pode-se afirmar sem medo de errar que, não obstante seu desempenho brilhante como empresário recusou-se a assumir sua mortalidade.

E assim, e agora, o quanto faz falta não ter providenciado um competente e eficaz plano e programa de sucessão, aconteça o que venha a acontecer com a Unip.

A propósito e você, querido amigo e empresário, batendo nos 60, como anda o planejamento de sua sucessão?

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM (Landmarketing 951).