Minha primeira profissão

Acredito já ter comentado com vocês, mas, no Natal de 1950, com 7 anos completos, ganhei minha primeira bicicleta. Uma Philips, aro 14.

Meu pai, depois de entregar a bike perguntou se eu estava feliz e disse que a partir daquele momento ia precisar de minha ajuda. Carlos Araujo Souza, meu pai, trabalhava na Prefeitura Municipal da cidade de Bauru onde nasci e onde eu treinava no baquinho sob os cuidados de Valdemar de Brito e com um moleque bom de bola, o Dico, hoje adoentado e mais conhecido como Pelé, e em paralelo a Prefeitura, contador que era, meu pai tinha um pequeno escritório de contabilidade e outros serviços. Quase despachante. E precisava que eu prestasse os serviços de bicicleta boy para ele. Bike Boy, nos dias de hoje.

Que fosse pelos diferentes cantos da cidade, buscando e entregando papéis, numa cidade pequena e concentrada e naquele momento com pouco mais de 40 mil habitantes. Corta, quase 3 meses atrás, 15 de janeiro de 2019, e exatos 69 anos depois.

Matéria no Estadão comentando sobre os novos atores da paisagem das cidades, muito especialmente, da cidade de São Paulo. Aquilo que comecei a fazer em janeiro de 1951, e que agora se denomina de Bikeboy. Na foto da matéria, Bikeboys sentados e descansando em baixo de uma árvore, e com um banco grande que eles mesmos providenciaram. Numa pequena praça, nas imediações do Shopping Vila Olímpia. Todos de bermuda tactel, camisa de algodão, chinelos e óculos escuros. Todos atentos ao celular que carregam numa bolsa plástica e dependurada no pescoço.

O que os diferencia são as cores das bolsas térmicas que carregam em suas bikes: amarela (Glovo), laranja (Rappi), vermelha (iFood), preta e cinza (Uber Eats).

O pico dos trabalhos, naquela região, é o almoço. Entre 12 e 15 horas.

Pessoas que almoçam nas mesas de trabalho pedindo comida. Segundo as estatísticas disponíveis, em um ano, e naquela região, a quantidade de Bikes dobrou. Das 110 do final de 2016, para as 227 de hoje.

Segue a vida, mudam as paisagens, e um mundo novo vai, gradativamente, revelando-se. E eu, finalmente, vejo minha primeira profissão, finalmente, reconhecida… Talvez e naqueles tempos devesse te composto uma canção Sou Bikeboy… E com isso furado o saudoso e querido Kidy Vinil com seu sucesso Sou Boy…

 

 

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