Maquininhas

O país foi invadido pelas maquininhas de pagamento.

Antes eram duas ou três. Agora são dezenas.  Qualquer banco meia  boca tem sua maquininha.

E muito brevemente todas serão arremessadas solenemente para o lixo na medida em que os sistemas de pagamento migrem por completo para os smartphones.

Seguramente, a maior referência nessa disrupção do monopólio de duas empresas que reinaram absolutas durantes duas décadas é a maquininha do Uol, a Pag Seguro. E tudo é meio na base do foi indo, indo, indo, e, quando se deu conta, foi, era é, vai, continua…

Era uma vez a Folha que resolve colocar no ar um portal de notícias no ano de 1996. Jogando no digital o que fazia no impresso e de uma forma totalmente inadequada a luz de hoje. No ano seguinte coloca no portal a TV Uol – shows e notícias e entrevistas.  Em 2000, manda uma equipe cobrir os Jogos Olímpicos de Sidney.  Em 2001, faz uma cobertura histórica do atentado de 11 de setembro. Em 2002, transmite um jogo da seleção brasileira. A partir de 2005, começa a investir em segurança.

Em 2008, passa a oferecer serviços de hospedagem. Em 2006 começa a prestar serviços de assistência técnica. Em 2010, cria seu Data Center. Em 2012, converte-se, também, em portal de educação. E em 2015, lança sua Maquininha. A Maquininha do Pag Seguro.

Que mediante uma política agressiva de comercialização e popularização muda por completo a característica dos negócios de meios de pagamentos. Agora, prepara-se para virar Banco. Isso mesmo, a maquininha da Uol, Folha vai virar o Banco Pagseguro.

Considerando-se sua elevada penetração, a maquininha da Folha que nasceu no Uol e que era apenas um espelho no digital do que a Folha fez durante décadas no analógico, tem tudo para alcançar um megassucesso.

Pela simples razão que vai pegar carona num caminho já construído, viável, lucrativo, prático, de domínio de seus milhares de clientes lojistas, que farão sua adesão aos créditos que colocará a disposição, com total naturalidade.

Mais um daqueles fantásticos cases de empresas e empreendedores que foram fazendo, fazendo, fazendo, e, quando se deram conta, estava feito. Serendipismo em marketing. Atirou no portal, acertou na maquininha e converteu-se em banco.  Partiu para Montevidéu e desembarcou em Tóquio…

Jamais passou pela cabeça da Folha ter e ser banco um dia. Mas, com a tal da maquininha… Independente disso, e da mesma forma que hoje assistimos a chuva de maquininhas, em muitos poucos anos, virá à ressaca.

E como afirmei parágrafos atrás, e como está fazendo o Uol/Folha, ou as administradoras das maquininhas evoluem rapidamente para um novo negócio e se institucionalizam, ou ficarão com a brocha, ou melhor, com milhares de maquininhas esquecidas e abandonadas nas mãos, sem saber exatamente o que fazer.

Até mesmo o descarte será complicado.

 

 

 

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