Maneiras estúpidas de morrer

Reservei meu comentário de hoje para falar sobre a mais estúpida das maneiras de morrer, e, matar, dos dias que vivemos: Smartphone, a mais letal das armas.

Deveria existir uma campanha permanente em todas as plataformas de comunicação do mundo, alertando a todos sobre os riscos envolvidos no uso irresponsável e criminoso do novo melhor amigo e inimigo do ser humano, O Celular. Com acontece de rotina com as crianças no Canadá alertadas permanentemente de como pequenas e supostamente irrelevantes coisas podem até mesmo causar a morte.

As tais das Dumbest Way To Die! E não existe hoje, repito, nenhuma maneira mais estúpida de morrer – e matar, também – que o celular.

Há 20 anos morria-se de todas as outras coisas e maluquices e desatenções e irresponsabilidades, mesmo porque o celular não existia. Hoje já ocupa a terceira colocação dentre as causas de acidentes de trânsito – só perdendo por embriaguez e excesso de velocidade -.

O último número divulgado, do final do ano passado, 2017, registra 150 mortes por dia em decorrência do uso do celular dirigindo, o que totaliza 54 mil mortes por ano. Não existe registro sobre mortes por uso do celular pelas pessoas durante suas caminhadas e no correr de um dia. Se existisse, o número certamente seria bem maior.  Pessoas que saem pelas ruas, distraem-se falando no celular e caem em buraco, atravessam a rua, são assaltadas, e… morrem.

Segundo algumas estimativas a que tive acesso, esse número de mortes pela utilização do celular caminhando é o dobro das mortes no trânsito. Ou seja, e sintetizando, a utilização burra, estúpida, natural, criminosa e inconsequente do celular mata 150 mil pessoas por ano em nosso país. 150 mil pessoas que continuariam vivas não fosse essa maravilha que é o celular.

E é!  O problema, como sempre, são as pessoas. Considerando essa estatística brutal, os principais fabricantes dos aparelhos decidiram oferecer uma contribuição. Assim, Apple e Google, e seus sistemas operacionais, iOS e Android, assumindo suas responsabilidades, prometem para as próximas semanas novidades na tentativa de alertar as pessoas sobre o uso excessivo de seus aparelhos.

Na conferência para desenvolvedores que realizou em maio, o GOOGLE apresentou sua mais nova versão do Android com uma série de recursos para desestimular a utilização excessiva dos smartphones que carregam seu sistema operacional.  Na primeira semana de junho a Apple anunciou providências semelhantes.

Assim, e a partir das novas versões dos aplicativos, as pessoas saberão o tempo que gastam em seus celulares; estímulos para a definição de metas e limites; e, ainda novas formas de bloquear notificações que fazem com que as pessoas irrefletida, na base do ato reflexo, acionem seus aparelhos.

Ouvidos a respeito, especialistas consideram positivas essas providências, mas de resultados insignificantes ou pífios. Considerando-se que hoje Celular Mata mais que Cigarro, por exemplo, e de forma instantânea e brutal, e o cigarro mata aos poucos, nada mais justo do que exigir-se dos principais fabricantes e membros da cadeia dos celulares, que reservem alguns dólares de cada venda para uma campanha permanente de conscientização dos usuários, tão ou mais radical do que as campanhas antitabagistas.

Lembrando a todos, permanentemente, que, e não obstante as vantagens, prazeres, facilidades e conforto trazido, O Celular Mata.

E que é hoje, e de longe, a MAIS ESTÚPIDA MANEIRA DE MATAR.

E, MORRER.

 

 

 

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