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Judicialização – uma das doenças da aviação comercial no Brasil

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Uma das mais graves doenças que acomete a sociedade brasileira, de uma forma geral, é a mania, ou cultura, de levar tudo para brigar na Justiça. Conclusão, a justiça não resolve absolutamente nada, mas encontra no acúmulo de demandas razões e motivos para justificar aumentos de quadros, criações de mais varas, contratações de mais funcionários, mais vagas para juízes, e, acima de tudo, mais serviços para os milhões de advogados que inundam nosso país.

Dizem que têm algumas coisas que só existem no Brasil tipo jabuticaba, o que, claro, não é verdade. Existe jabuticaba em outros lugares… Mas, o surto de advogados que abateu sobre o Brasil nos últimos 50 anos, essa é uma verdade absoluta e definitiva.

Em nosso país existem 1.406 faculdades de direito. Na soma de todos os demais países do mundo, 1.200. O Brasil sozinho tem quase 20% a mais de faculdades de direito do que todo o restante do mundo junto! Caminhamos aceleradamente para o número de 1.2 milhão de advogados. Nenhum outro país chega próximo. E que projetados nos levarão a 2 milhões de advogados no ano de 2032.

Assim, e como os advogados têm que comer, passam o tempo estimulando a todos a brigarem na justiça… Conclusão, a situação é tão dramática que vem constrangendo e incomodando os verdadeiros profissionais da Justiça.

Um dos melhores exemplos que acontece no Brasil, além da judicialização na saúde, é a judicialização no setor aéreo. É tão grotesca e pornográfica, que até a OAB Rio decidiu se mexer, caracterizar o problema, identificar as causas, e tentar punir os irresponsáveis.

De cada 100 voos, por exemplo, que neste momento, e enquanto vocês leem este comentário estão nos céus do Brasil, de 8 deles decorrerão ações na justiça! Esses são os dados oficiais da OAB Rio. E claro, ações essas totalmente estimuladas por escritórios de advocacia que se especializaram em atiçar os consumidores contra as empresas aéreas.

Falando em nome das empresas, Eduardo Sanovicz, presidente da Abear – Associação Brasileira de Empresas Aéreas – apresentou o caos em que vivemos: “No Brasil, 85% dos voos saem no horário. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse índice é de 82%. No entanto, e no Brasil, em 2018, foram ajuizados 64 mil processos contra as empresas aéreas. Em 2019, esse número superou os 110 mil. Já nos Estados Unidos, o número é 800 vezes menor que no Brasil…”.

Conclusão, no Brasil, além de todos os desafios que as empresas aéreas enfrentam em todo o mundo, o que torna esse business o mais arriscado de todos, ainda temos o tóxico aditivo da judicialização.

E quem paga essa conta… Claro, os passageiros, já que não existe mágica na economia, nos negócios e na vida, a judicialização brasileira hoje é parte importante do preço das passagens em nosso país.

E agora, então, e com o retorno das empresas aéreas do território do Low Cost, as que cobram mais barato e na passagem só está incluída a viagem, tudo o mais tem que ser pago, por isso, Low Cost, milhares de novas ações na justiça de pessoas indignadas porque tiveram que pagar pelas bagagens, comida, marcações de lugares, e tudo o mais. Claro, insufladas por advogados que precisam descolar uma grana para o jantar…

Além de todos os desafios inerentes ao negócio da aviação comercial em todo o mundo, todos presentes e levando à loucura as empresas aéreas brasileiras, neste momento mais que arrebentadas pela pandemia, ainda têm que conviver com as maluquices e com a patologia da judicialização.

Essa sim, uma exclusividade de nosso país.

 

 

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