Imóveis: simplesmente, devastador!

O que aconteceu com o mercado brasileiro de imóveis, de uma forma geral, e mais especialmente na cidade de São Paulo foi, e continua sendo, simplesmente, devastador. Muitas empresas jamais se recuperarão, os números de hoje são de no máximo 20% do que eram às vésperas do estouro da bolha, 2014.

No dia 9 de maio de 2012, a certeza de uma prosperidade permanente e quase absoluta era traduzida nos depoimentos de Ubirajara Freitas – o Bira – na época Diretor-Geral da Cyrela, em entrevista a Sergio Waib do Girobusiness: “Sergio perguntou se o crescimento continuaria e se existia o risco de uma bolha”.

Bira, de bate pronto, respondeu: “Sergio, vamos continuar crescendo, o risco da bolha inexiste e os fatores são muito óbvios. Nós temos déficit quantitativo e déficit qualitativo, diminuição de pessoas por lar, projetado para os próximos 20 anos e temos crescimento vegetativo da população. Não temos nível de alavancagem, a compra é dada com crédito forte e não temos especulador no mercado… Especuladores e investidores representam 10% e não se endividam…”.

Pouco mais de um mês depois dessas declarações deixou a Cyrela e o mercado começava a descer a ladeira… Engenheiro civil formado pelo Mackenzie e com MBA pelo Ibmec, Bira assumiu o comando da Brookfield, hoje Tegra, há dois anos.

Nesse meio tempo, além da mudança na denominação, a empresa fechou o capital, e precisou de uma injeção de recursos da controladora, Brookfield Asset Management da ordem de R$ 4,5 bilhões. A devastação causada pelo estouro da bolha, e não obstante todo o processo de reposicionamento da empresa, remete a uma possibilidade de lucro a partir de 2019…

Falando a Carlos Sambrana de Dinheiro, no ano de 2017, Bira disse o que sua empresa vem fazendo no processo de recuperação e reposicionamento: “Mudamos o time. Hoje muito mais focado no mercado imobiliário do que em finanças. Criamos uma nova cultura na empresa. Uma cultura com o entendimento de que nosso negócio é uma butique em escala e com a visão de que cada empreendimento tem de ter alma e ser único. Isso não existia na companhia”.

Em síntese, os anos 2010, para o mercado imobiliário tem o formato de uma montanha russa com uma única subida e uma única descida.

E agora, quando todos acordam descobrem que retornaram ao ponto de partida com cicatrizes em todas as partes do corpo, e com lesões que marcarão as empresas por todos os próximos anos.

Assim, e a foto síntese dos últimos anos, é a do apogeu e glória do vinho, de um lado, e do derretimento do mercado imobiliário, do outro.

A bem da verdade, não apenas do mercado imobiliário. De quase todos os demais mercados em diferentes proporções.

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.

 

 

 

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