Howard Gardner, 75 anos, o grande Mestre sobre as múltiplas inteligências dos seres humanos

AS JÁ DESCOBERTAS, E AS A DESCOBRIR…

Ou, se preferirem: O PSICÓLOGO QUE ACABOU COM A DITADURA DO QI.

Semanas atrás, o grande mestre das inteligências esteve no Brasil.

Veio participar de um Congresso. E foi entrevistado pelos principais jornais do país.

Em verdade, Gardner causou grande frisson foi no ano de 1997, há 21 anos, quando veio ao Brasil falar sobre sua teoria das sete inteligências.

Decretando o fim da ditadura do QI. Como se só existisse essa inteligência.

Naquele momento, dentre outras entrevistas concedeu uma marcante para a Folha. 21 anos depois e ainda absolutamente atual!

Na época só se falava da Inteligência Emocional, título do livro de Daniel Goleman.

Apenas uma das sete inteligências descritas pelo educador e psicólogo da Harvard University, dos EUA, Howard Gardner, 54. Além da inteligência emocional e segundo Gardner, os seres humanos têm também as inteligências lógico-matemática (como a de um cientista), linguística (como a de um poeta), espacial (um piloto de avião ou escultor), musical (de um compositor), corporal-cinestésica (de Pelé) e interpessoal (de um professor).

Naquele momento, e dentre outras afirmações a Folha, Gardner disse:

1 – Se algumas pessoas são mais inteligentes que outras, ou desenvolvem a inteligência no correr da vida… Howard Gardner – Ambos. Isto é, nós não temos todos o mesmo potencial em cada tipo de inteligência.

Mozart tinha mais potencial em inteligência musical do que eu tenho, e esse potencial é determinado geneticamente.

Por outro lado, você pode ter todo o potencial do mundo, mas, se não tiver oportunidades de aprendizagem, motivação, bons professores, você não vai desenvolvê-lo.

Mozart não só tinha mais potencial, como tinha um pai que trabalhava com ele 20 horas por dia.

2 – As razões da sociedade valorizar mais a inteligência lógico-matemática que as outras?

Gardner – Há duas explicações muito diferentes.

Uma é prática, de que muitas ocupações dependem dessa habilidade, a engenharia, por exemplo. Mas parte disso é tradição.

Outro dia eu estava falando com um engenheiro que disse que nunca usou cálculo, embora tenha sido parte essencial de sua educação.

3 – Se os asiáticos seriam geneticamente melhores em lógica matemática? Gardner – Não. A melhor demonstração disso é que, se você pega um japonês e um garoto norte-americano na 1ª série (6 anos), seus QIs e  resultados em provas de matemática são semelhantes. Na 6ª série, os melhores alunos americanos têm resultados semelhantes ao dos piores japoneses. Os japoneses não tiveram um transplante cerebral, eles trabalharam duro e seus professores são focados e comprometidos.

4 – Como a teoria de inteligências múltiplas pode ajudar os pais a criarem os filhos?

Gardner – Os pais não serviriam bem seus filhos se eles simplesmente fizessem um julgamento do tipo: “Minha criança é esperta ou minha criança é burra. Se é burra, não há nada que eu possa fazer. Se a criança é esperta, eu não tenho que fazer nada”.

É muito mais importante tentar entender o perfil das habilidades da criança e as suas fraquezas e trabalhar duro por oportunidades de aprendizagem que aproveitem esse perfil específico. Algumas pessoas podem escolher favorecer os pontos fortes, outras, fortalecer os fracos.

Eu não faço recomendações em um sentido ou outro.

Mas acredito que, quando a criança é nova, é muito importante dar experiências amplas e quando fica mais velha é bom concentrar-se nas áreas fortes.

5 – Sobre o que os pais não devem fazer?

Gardner – Evitar o narcisismo positivo ou negativo. Narcisismo positivo quer dizer: “A coisa que eu sei fazer é tocar o violino, então minha criança tem que tocar o violino”. Narcisismo negativo é: “A única coisa que eu não consegui fazer é jogar futebol, então meu filho vai jogar futebol”.
Em cada caso, o pai está projetando sua adequação ou inadequação, no lugar de prestar atenção na criança e tentar descobrir o que ela deveria estar fazendo.

6 – Como sua base conceitual afeta o trabalho?

Gardner – O que eu faço no local de trabalho, como empresário ou líder de uma equipe, é, primeiro, tentar descobrir quais são as inteligências de meus comandados e como usá-las de forma que eles façam bem o seu trabalho. E, depois, muito importante, é montar equipes onde as pessoas se complementem. Vinte anos atrás, antes de desenvolver essa teoria, eu ou contratava pessoas que eram como eu ou tentava fazer as pessoas serem como eu.

Ambos são um erro. “Hoje eu busco pessoas que trabalham bem juntas, que tenham perfis de inteligência contrastantes”.

Semanas atrás, Gardner voltou ao Brasil. E reiterou…

“Temos de enfrentar o desafio de tornar todas as nossas crianças mais empáticas. E só se consegue isso com o exemplo: De professores, e dos pais. Se pais e professores não demonstram compreensão e sensibilidade com os outros, não há como desenvolver essa competência e componente nas crianças…”.

É isso, Amigos.

Howard Gardner mudou nossas vidas, ao organizar e explicar o óbvio.

Antes dele, ou tínhamos um QI ótimo, ou estávamos condenados ao ostracismo.

Estávamos literalmente na roça.

Anos depois das inteligências múltiplas de Gardner, alguém decidiu pesquisar e conferir o que tinha acontecido com os Gênios dos QIs, das principais universidades americanas.

Se eram ótimos gestores, líderes, se estavam milionários, e o que mais…

Constatou-se que apenas 7% deles conseguiu algum sucesso na vida. Faltava a eles o mais importante, o elixir do sucesso e da realização.

Faltava a todos eles a inteligência social resultante da combinação de algumas das inteligências.

E que hoje, traduzimos como empatia. E que nós, aqui no MMM definimos como … Marketing.

A verdadeira inteligência.

Put yourself in someone shoes.

Colocar-se permanentemente no lugar dos outros… e respeitá-los como são antes, durante, depois e sempre…  O tempo todo!

E aí tudo flui; fica mais fácil, concretiza-se, e segue!