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Hambúrguer vegetal? Esqueçam essa bobagem…

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Qual é a oportunidade?

Tentar atrair os devoradores de hambúrgueres carnívoros para os hambúrgueres de vegetais com cara, jeito, cheiro, gosto, chiado de carne, ou, criar um similar ao hambúrguer, com uma nova denominação, com sabor próprio e específico, com um tipo adequado ao novo produto, e talvez mesmo com formato exclusivo, para recompensar, valorizar e gratificar os que não gostam de carne?

E, como fazer esse produto, atrair gradativamente os devoradores de hambúrgueres de carne? Não como substituição, mas como uma irresistível alternativa? E que quem sabe, mais adiante, até acabe remetendo para uma eventual substituição? Sintetizando, tentar atrair os carnívoros com uma mentira tem perspectivas?

Muito próximo de zero. Por enquanto todos, sem exceção, estão trilhando o caminho errado.

A primeira das redes que lançou o hambúrguer vegano foi a Lanchonete da Cidade. No mês de maio do ano passado, o Futuro Burger, tendo como base proteína de ervilha e soja. Por R$ 29, e no primeiro mês no total das 5 lojas da rede vendeu 10 mil sanduíches, de um total de 50 mil incluindo os de carne, ou seja, 20%.

Mas, um número que deve ser descartado pela Síndrome da Experimentação. Pessoas com interesse despertado pela novidade, e que não necessariamente realizarão a troca. E a maior parte dessas pessoas, os que já não comiam hambúrgueres de carne.

O Burger King lançou o Impossible Whopper em setembro, e em 58 lojas da cidade de São Paulo. Sentimento e primeira impressão. Não vai substituir o hambúrguer. Nem mesmo conseguirá convencer 5% dos comedores de hambúrgueres de carne a migrarem para o de ervilha e soja. A menos aqueles que os médicos, por razões de saúde, assim determinem.

Repito, adotaram a estratégia errada. O caminho era outro. Não o das afrontas e enfrentamentos, mas o de oferecer uma alternativa.

Concordo com um dos mais respeitados jornalistas brasileiros de gastronomia, J. A. Dias Lopes, que em comentário na Veja, e depois da degustação, apenas lembra: “Não há milagres na natureza, vegetal é vegetal”; E dentre outras considerações, afirma, de forma sensível, respeitosa e matadora: “Para quem gosta de comer carne, os hambúrgueres vegetais que pretendem imitar a textura e o sabor dos que são preparados tradicionalmente decepcionam. Têm a consistência pastosa demais e lhes falta a granulação natural decorrente da fibra animal. Carecem também da umidade e do suco da carne. Além disso, por mais que camuflem, ainda permanecem com o paladar da leguminosa predominante em seu preparo, soja, grãos de bico ou ervilha…”.

E faz a pergunta certa e definitiva: “Mas os hambúrgueres vegetais sabor carne não se destinam a quem quer evitá-la? Por que então apresentar textura e sabor similares aos da carne?”.

10 com louvor! E, na sequência, Dias Lopes, respeitada a educação e bons modos, faz questionamentos constrangedores, muito especialmente para a galera das comidas vegetarianas e naturais.

Diz: “A soja, o grão-de-bico, a ervilha, ou qualquer outra leguminosa recebem diversos tratamentos para que a textura do hambúrguer vegetal se assemelhe a da carne e passam por outros procedimentos destinados a obter um sabor parecido. Para que esses resultados sejam alcançados faz-se necessário a intervenção científica, não natural. O espessante utilizado, por exemplo, costuma ser a metilcelulose, um composto químico derivado da celulose…”.

E fez-se o silêncio… Assim, concluo com meu sentimento final no que diz respeito às perspectivas desse business, não obstante as centenas de milhões de investimentos que vêm sendo realizados em meia dúzia de projetos em todo o mundo. As possibilidades de sucesso dos hambúrgueres vegetais são rigorosamente iguais a dos patinetes elétricos. Nenhuma. Em 5 anos ninguém mais falará das duas bobagens.

 

 

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