Greves, uma espécie em extinção

Lembra das greves? Praticamente acabaram. Foram mega disruptadas. Perderam a razão de ser.

Toda briga ou causa prospera e tem perspectivas diante de uma realidade favorável, do tal de vento a favor. E realidade favorável, significa dentre outras coisas, demanda consistente, negócios totalmente dependentes de pessoas – profissionais ou autônomos -, clima de prosperidade. Empregos à vontade… Onde o custo de se parar é maior do que conceder e chegar a um acordo.

Esse mundo não existe mais e tão cedo, próximos 20 anos, não teremos nem notícia nem nada parecido. Acabou. Por outro lado, o preço de tudo despenca. A tal de Sociedade de Custo Marginal Zero anunciada por Jeremy Rifkins chegou.

Meses atrás voltava a se falar numa nova greve dos caminhoneiros. Devem ter enlouquecido de vez. Não há o que negociar. A economia está parada.

As empresas estão se reinventando. Os sistemas de logística e transportes reconsiderados. Existe um novo mundo a caminho e nesse mundo ou se é competitivo e mantém-se vivo, ou vai fazer greve consigo próprio. Greves do Eu Sozinho.

Vai ficar conversando com o espelho ou com a sombra.

Enquanto os caminhoneiros entravam em greve, nove meses  e alguns dias atrás,  no dia 21 de maio, a disrupção no negócio de cargas rodoviárias caminhava silenciosa e aceleradamente em todo o mundo…

Independente de outros sistemas, formatos e modais de transporte de carga, o velho e bom transporte rodoviário continua em sua marcha disruptiva.

Talvez a mais dramática dentre todas as disrupções, e que está quase entrando em campo ou desfilando nas estradas, é a dos caminhões autônomos.

Além de não precisarem mais de motoristas, poderão trafegar agrupados, quase como se fossem vagões de um trem, em velocidade constante, e gastando bem menos combustível.

Um comboio de caminhões sem motoristas. Visto de cima, como se fosse um trem descomunal.

Em paralelo, uma grande corrida entre as montadoras para ver quem sai na frente e conquista o mercado de caminhões com motores elétricos. Se tudo correr como o previsto, Mercedes, Tesla, Thor e Byd lançam seus primeiros modelos neste ano. Em princípio, e em operação normal, chegarão a ser até 70% mais econômicos do que os caminhões movidos a diesel.

No território dos caminhões elétricos duas manifestações relevantes neste ano. A primeira da Tesla, um protótipo apresentado pela empresa com uma autonomia de 800 quilômetros. E a segunda, uma estrada construída na Suécia onde os veículos recarregam-se automaticamente pelo movimento e por indução.

Além das novidades a caminho, muito e novos aplicativos possibilitando uma radical racionalização no processo de captação de cargas e melhor aproveitamento dos caminhões, diminuindo de forma sensível a síndrome do retorno vazio. E, em paralelo, a eliminação gradativa de intermediários que ficavam com quase 1/3 das receitas.

Assim, são tantas e tão radicais as novidades já em processo de implementação e a caminho que talvez tenhamos vivido a segunda e última grande greve dos caminhoneiros em nosso país.

Portanto, e se tiverem um mínimo de juízo, inteligência, e sensibilidade, os caminhoneiros que tratem de encarar essa nova realidade e procurem preservarem-se vivos. Os caminhoneiros, e praticamente todas as demais atividades.

A crise econômica no Brasil levantou a bola, e a crise estrutural, mundo, recomenda cautela e caldo de galinha a todos os players de todas as cadeias de valor. Falar-se em greve hoje, só faz sentido para ignorantes de toda a ordem, ou criminosos e incendiários ideológicos que ateiam fogo e desaparecem de forma irresponsável, criminosa e covarde. E ferram, e matam, os inocentes que acreditaram neles.

GREVES, E QUASE TUDO O QUE FAZIA SENTIDO ANOS ATRÁS, FIM! Acorda, galera!