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Fazer marketing através de brinquedos pode ser positivo

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Nos últimos três meses fui impactada por duas bonecas norte-americanas que trazem como princípio o empoderamento feminino a partir das brincadeiras infantis. É fato que surfar essa onda é uma ótima estratégia de marketing e ajuda a vender e a lucrar. Mas vale olhar para exemplos que continuam fazendo a economia girar, e ainda contribuem para quebrar paradigmas, podendo tornar o mundo melhor.  

A primeira é da coleção GoldieBlox, bonecas que realizam atividades diferentes das que estamos acostumados a ver nas prateleiras, como descer por uma tirolesa. Mais que isso, a tirolesa, que pode ser afixada nos vidros das janelas da casa, precisa ser montada, pecinha por pecinha, antes de começar a brincadeira (veja aqui)

Essa ideia nasceu quando a engenheira Debbie Sterling se deu conta da ausência de mulheres na sua profissão. Nos EUA, apenas 11% dos profissionais de engenharia são do sexo feminino, segundo ela revela neste TED. Debbie conta ainda sobre como ela mesma reagiu quando incentivada por seu professor de matemática a cursar engenharia, e como as pessoas reagiram  e ainda reagem  diante de sua decisão. 

Em pouco tempo, ela tornou-se obcecada pela ideia que chama de ‘disrupting the pink aisle’ ─ algo como ‘indo além do corredor rosa”. Basta andar pelo setor de meninas de uma loja de brinquedos para entender do que ela está falando.

A engenheira, com suas engenhocas coloridas e brincantes, tornou-se uma das porta-vozes do movimento para encorajar meninas e mulheres a optarem por engenharia e tecnologia como carreira. Ela já foi eleita pela Time’s Person of the Moment and Business Insiders entre as 30 mulheres que estão mudando o mundo. A empresa, uma das mais inovadoras pela Fast Company. A coleção, como Brinquedo Educacional pela Toy Industry Association dos Estados Unidos, entre outros prêmios. 

Neste final de semana fui apresentada para a Lottie, boneca de uma coleção que valoriza o que cada menina é na vida real, com corpo inspirado no de uma criança, sem maquiagem  nem batom  ou salto alto. O chamariz perfeito para encantar meninas de 3+ (anos) é que vem com roupinhas e sapatos para serem trocados. Além da versão School Days, minha filha ganhou a roupa de Superhero para a boneca, desenhada pela Lily, garotinha de 6 anos, do estado de Ohio, que venceu um concurso. Frases como “ela tem o poder de fazer qualquer coisa por um mundo melhor” fazem parte do universo lúdico de Lottie, que tem apoio de institutos como o Girlsleadership.org. Fatores que a tornam mais interessante  pelo menos para alguns de nós, pais  do que as bonecas que só tem roupinhas pra trocar, e pronto. 

A Lottie estudante vem com cartelinhas de 10 dicas para meninas sobre liderança. Para encerrar, vou ressaltar apenas duas e logo mais explico o motivo. A primeira: “durante a aula, levante a mão mesmo que você não esteja certa da resposta”; e a última: “pratique apresentações em público, assuma riscos, diga o que você pensa e precisa dizer. Isso pode parecer muito difícil no começo, mas vai ficando fácil com a prática.” 

Coincidentemente  ou não  na noite anterior à que li estas dicas que nada mais são do que acessórios de uma boneca, eu estava em um bar com amigos brasileiros que trabalham em agências e em clientes globais aqui nos Estados Unidos. Um dos assuntos foi como quem nasce nos EUA é treinado desde a infância para falar em público, expor as ideias e se sair bem, mesmo que tecnicamente, numa apresentação. Enquanto no Brasil somos mais da linha: tem gente que é melhor pra falar, outros não, e tudo bem. Eu ainda acho que sim, as pessoas tem talentos diferentes. Mas concordo que alguns poderiam ser treinados para facilitar a vida da gente, independentemente da carreira que quisermos seguir. E isso pode facilmente começar a ser estimulado por um brinquedo.

E você, o que pensa disso?

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