Desencontro Marcado

Sempre ouvimos dizer que faltavam médicos em nosso país.

Claro faltavam em 2/3 dos quase 6.000 municípios onde não conseguiam se sustentar economicamente, pelas reduzidas e limitadas possibilidades de pagamentos das pessoas.

Nas grandes cidades jamais faltaram médicos.

De qualquer maneira, convivemos durante três ou quatro décadas com poucas faculdades de medicina.

Até que nesta década foram se multiplicando. Das 181 de 2010, hoje são 279, e mais algumas em processo de instalação.

Na mesma velocidade cresceu o número de matriculados e futuros médicos. Dos 100 mil de 2010, hoje são 140 mil.

Essa é a superfície, a aparência.

O trágico é o que esses números escondem.

Estamos formando médicos para pacientes que, mesmo com o aumento da população, tendem a diminuir.

Pior ainda, estamos formando médicos na velha escola de medicina, enquanto uma nova medicina cresce e prospera em todo o mundo e em nosso país, e onde a função e missão dos novos médicos passa a quilômetros de distância daquilo para o que estão estudando e se formando.

Uma espécie de tragédia anunciada, mas que a inércia de uma cultura que não se consegue desconectar, aditivada por uma indústria que não tem o menor interesse que o novo se revele e prevaleça nos traz a certeza absoluta e cristalina que temos um Desencontro Marcado.

E que todos os novos formandos, com raríssimas exceções, terão que passar por um processo de ”re-formação”  para se adequarem ao que se espera e deseja dos Novos Médicos.

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.