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Crowdfunding, Wishful Thinking e Marketing

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“Há muita gente que, assim como o eco, repete as palavras sem lhes compreender o sentido”. 

Marques de Maricá

Como diz meu querido amigo e membro da Academia Brasileira de Marketing, Álvaro Coelho da Fonseca, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. De nada adiantam as melhores das intenções se o mercado não sinaliza, tem e revela o menor interesse.

Como recorrer a Crowdfunding entrou na moda, muitos empresários, artistas, empreendedores, indignados com as exigências dos anjos, demônios, capetas, santos, e todas as demais espécies de fundos e investidores, optou, em desespero de causa, a recorrer a milhares ou milhões de pequenos investidores mundo afora. Claro, pela WWW.

Nos registros da história recente muitos atribuem a criação do termo ao empresário americano Michael Sullivan (Wordspy.com) no mês de agosto de 2006. De verdade, pessoas se somarem para bancar produções artísticas e editoriais está presente desde o século 17 quando centenas de cotistas viabilizavam a edição de livros.

Em 1884, a Estátua da Liberdade contou com milhares de doadores, sob a motivação e liderança de Joseph Pulitzer, para a construção de sua base doada aos Estados Unidos pela França. 125.000 doadores possibilitaram a Pulitzer arrecadar, através do jornal New York World, mais de US$ 100.000. Mais recentemente, e com a WWW, o mecanismo de captação de recursos ganhou abrangência, consistência e rapidez: dos US$ 89 milhões captados via crowdfunding em 2010, para US$ 1,47 bi em 2011, US$ 2,66 bi em 2012, US$ 5,1 bi em 2013, e uma expectativa de US$ 8,0 bi neste ano.

Até aí tudo perfeito. Existe a ideia, o projeto, o business plan, e milhares de cotistas ou acionistas rezando para que o objeto da paixão, a causa que apoiam com parte de suas poupanças, vingue. Falta ver se toda essa paixão converte-se num serviço relevante e desejável pelo mercado. Ou seja, os fundamentos não só não foram revogados como num mundo de concorrência exacerbada e levada às últimas consequências jamais podem ser esquecidos.

Isso posto, Voluntarismo – “atitude de quem pensa modificar o curso dos acontecimentos apenas por sua vontade, desejo, alvedrio” -, ou, no inglês, Wishful Thinking – “ilusão, autoengano, autossugestão, tomar os desejos por realidade” – é uma coisa. Marketing outra e completamente diferente. Começa que não se encontram as respostas dentro das pessoas e nem mesmo na paixão dos crowdfundistas. Encontra-se no único lugar onde sempre estiveram e permanecem – No Mercado. E, na sequência, e em decorrência desse conhecimento, reconhecimento, constatação, traça-se todo o caminho DE FORA PARA DENTRO; jamais de dentro para fora, e que é o que caracteriza a paixão dos que aderem e apoiam; e até por essa razão, se dispõe a contribuir. Aportar seus parcos caraminguados.

É muito bom ter milhares de fãs, admiradores e apaixonados torcendo e contribuindo. Mas, melhor ainda, pessoas interessadas no produto final dessa paixão. Sacando o cartão e realizando a compra.

*Francisco Alberto Madia de Sousa é advogado, Diretor Presidente e Sócio do MadiaMundoMarketing e Presidente da Academia Brasileira de Marketing (ABRAMARK).

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