Criptomoedas: A primeira batalha

Conforme previsto, a guerra começou. Dos grandes bancos, com as disruptivas fintechs, e com o trade das moedas alternativas.

Neste exato momento as instituições tradicionais e que se submetem a normas e regulamentos + compliance radical decidiram fechar suas portas as tais de criptomoedas, e onde pontifica a bitcoin.

Todas as principais corretoras de bitcoins veem as portas dos principais bancos se fecharem. E, por decorrência, ingressam em processo de asfixia radical.

A maior dentre todas as corretoras da nova moeda, a Mercado Bitcoin, com mais de 1 milhão de clientes, revela-se literalmente em córner irreversível, ou, aniquilada e debilitando-se pela impossibilidade de completar as transações.

Tudo começou em 2015, que, e diante do inusitado, e temendo ser punido pelas autoridades oficiais, o Itaú Unibanco deu por fim, unilateralmente, sua relação com a corretora.

A Mercado Bitcoin procurou o Bradesco que agradeceu, mas disse um sonoro e portentoso NÃO. Aqui não.

A empresa vinha concentrando suas operações e encontrava-se em dependência total do Santander. Que preocupado com a possibilidade de boa parte do dinheiro ter origem ilícita decidiu pular fora. Comunicou a Mercado Bitcoin o encerramento da conta em trinta dias.

Por decisão liminar a empresa conseguiu ampliar de 30 para 90 dias, mas, e depois, não terá mais o que fazer. Segundo a empresa e outras corretoras, os bancos estão retaliando porque perdem receitas de forma acelerada por volumes e margens menores, e pela certeza de um esvaziamento da clientela mais adiante.

Os bancos alegam ter direito – e têm – de fechar qualquer conta de seus correntistas diante da ameaça de serem cumplices em fraudes e converterem-se em mulas de dinheiro de procedência incerta e origem provavelmente ilícita.

E aí? Aí que é assim mesmo. Chega o novo. Começa a conviver com o velho e regulamentado. O novo pode tudo, O velho está amarrado. E o jogo de braços começa.

Quando termina?  Em algum momento do futuro e depois de anos, quem sabe, décadas. E até lá os embates seguem na mídia e nos tribunais. As duas partes têm razão. O pão começa a escassear e tem que ser dividido. E, como nos ensinou o ditado, em casa onde começa a faltar pão todos brigam e ninguém tem razão…

E aí a Folha fez uma grande matéria sobre o assunto e os bancos preferiram não se manifestar. Tudo bem, compreensível. Não compreensível, injustificável e, de certa forma covarde, a Febraban não ter se manifestado sobre o assunto. Para que serve, então, a Febraban?

Apenas a primeira briga. Até mesmo por uma questão de sobrevivência os grandes bancos não querem, de forma alguma, alimentar seus futuros concorrentes. No que depender deles, facilidades zero.

E você, se estivesse no lugar do Itaú, Bradesco e Santander faria o mesmo?

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.