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Costanza, 80, a régua. Tarcísio, 84, o compasso

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Costanza, a régua.

O Brasil produziu poucos mentores sobre o que é a verdadeira elegância. Nos anos 1950 e 1960 pontificava Antônio Marcelino de Carvalho, 1905/1978, jornalista, escritor, cronista, com livros de sucesso sobre o tema elegância. Irmão de Paulo Machado de Carvalho, o marechal da vitória. Trabalhou no Shopping News e dava aulas de etiqueta na escola Eva, na Rua Augusta. E, luxo dos luxos, morava no edifício Ester, na Praça da República, apartamento de cobertura. Hoje descansa em paz no Cemitério da Consolação.

Mais adiante o Madia conviveu, em seu último emprego ‒ ele era Publisher da Carta Editorial, Revista Vogue ‒, com Rudi Crespi, outro árbitro e mestre da elegância. Apresentado por Luis Carta, Madia conviveu com Rudi durante dois anos, e aprendeu com ele a importância e a elegância das meias brancas. Enquanto isso, e a convite de Roberto Civita, padrinho de seu casamento, Costanza Pascolatto, iniciou-se como produtora de moda na Editora Abril e desde então se tornou a referência quando o assunto é elegância.

Costanza chegou aos 80, bonita e elegante como sempre foi. Lançou seu quinto livro, A Elegância de Agora – e concedeu uma série de mais que merecidas e obrigatórias entrevistas sobre sua efeméride. Reverenciamos Costanza nestes comentários, por muitos merecimentos, mas especialmente para falar de Branding. E Branding relacionado a pessoas. As nossas marcas. As marcas que precisamos construir nas cabeças e corações das pessoas de nosso relacionamento para que a caminhada se torne mais fácil e suave, e as perspectivas de sucessos e vitórias sejam sempre crescentes. E no Branding de pessoas, se elegância não é tudo, é quase tudo.

Costanza fala sobre Elegância a Malu Bonetto da Revista Go Where. Diz,

“A Elegância é uma estética de incomum eficácia e simplicidade. Tanto na arte como na arquitetura, a elegância é, frequentemente, utilizada como padrão de bom gosto e sugere maturidade. Uma pessoa elegante faz-se reconhecer pelo comedimento e cortesia. É amável e respeitosa com todos. Comunica-se com clareza e mantém a compostura em qualquer situação. Cuida da aparência, reservando um tempo para se arrumar. E, procura sempre, cercar-se de pessoas elegantes.”

Apenas isso. Desnecessário tentar acrescentar-se o que quer que seja.

Já Tarcísio, o compasso.

Ele, Tarcísio, um dos maiores galãs da história da televisão brasileira que agora completa 70 anos. Provavelmente, e na opinião dos críticos, apenas um bom ator. Já na opinião do povo, um mega ator. The best. Tarcísio Meira, 84 anos. Num dos últimos finais de semana de 2019, concedeu entrevista a Páginas Amarelas de Veja. Entrevistado por Sérgio Martins. Tarcísio concentrava-se em sua participação na peça O Camareiro, do dramaturgo inglês Ronald Harwood, no teatro FAAP. Chegando e saindo todos os dias numa cadeira de rodas, devido a problemas no menisco. Cumprindo seu dever e ofício de jornalista, Sérgio Martins provoca Tarcísio, passando por assuntos próximos do constrangimento, insinua inconfidências, traições, e lança algumas armadilhas…

Tarcísio mantem-se tranquilo, sereno, seguro, sem deixar de responder uma única pergunta. Tarcísio preserva-se numa postura de Branding irretocável. Uma pessoa, antes e acima de qualquer outro comentário ou manifestação, Elegante! Separamos três respostas da entrevista, e sua manifestação final sobre o momento de nosso país.

– Sobre a razão dele, e de Gloria Menezes, não serem tão presentes nos castings das novelas da Globo…
“Os autores não acreditam que existam velhos nas famílias brasileiras, nem que eles tenham papel relevante. Sabe como é, são jovens autores, que se preocupam com os jovens. Ignoram que são as pessoas de idade que passam mais tempo na frente da televisão assistindo novelas. E essas pessoas sempre acompanharam nossa carreira”.

– Sobre o uso de incentivos para a produção de espetáculos:
“O incentivo veio e foi bem-vindo, porque existem pessoas que precisam de patrocínio para montar um espetáculo. Julgo importante que exista. Mas creio que se deva dar dinheiro a quem realmente precise e não a quem consegue arcar com os custos de uma grande produção. Veja esses musicais que custam muito caro. Talvez seja melhor dirigir essa verba a outros projetos…”.

E a terceira, e provocado por Sérgio Martins sobre o que achava do presidente da Funarte, Roberto Alvim, ter se referido a Fernanda Montenegro como uma pessoa “sórdida”, Tarcísio, respondeu, “Esse senhor não conhece Fernanda Montenegro. Ela é uma fada, jamais seria uma bruxa, muito menos sórdida. Se disse isso, trata-se de um sujeito indelicado e grosseiro”.

E ainda no final, e provocado novamente por Sérgio que disse Tarcísio morar no 13º andar, no apartamento 1380, e num prédio onde o porteiro orienta os que visitam Tarcísio, “aperte o 13”, se tinha votado no 13, no PT…

“Não nas últimas eleições, respondeu, mas já votei no Lula e convenci minha mulher a votar também. Hoje está tudo muito confuso, as pessoas ficaram tão enraivecidas. A propósito, olha, ando com as duas pernas. Não posso caminhar com a da direita sem a ajuda da esquerda. Assim como não posso caminhar com a esquerda sem a direita. O que vejo é que uma perna está brigando com a outra e essa pessoa, o Brasil, é capaz de soçobrar. Apenas um saci anda com uma perna só, e, mesmo assim, de vez em quando, pega carona com o vento…”.

Costanza, Tarcísio, elegância, branding. E não se fala mais nisso.

O Brasil saci mais que precisando concentrar-se e olhar para frente… Pegando carona com e nos ventos abençoados da tecnologia e da modernidade. Com elegância, claro. E sempre!

 

 

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Diário de um Consultor de Empresas – 23/09/2020

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