Corrigindo um erro

Anos atrás, quando comprou a Dudalina, referência em camisas masculinas, e depois, também femininas, a Restoque, companhia de investimentos voltada para o território da moda e que, por aquisição, hoje é dona da Le Lis  Blanc, Bo.Bô, John John, Rosá Chá, e da Dudalina, também, decidiu ampliar equivocadamente o espectro da marca.

E Dudalina passou a fazer uma série de outros produtos. Inclusive jeans! Ignorando e esquecendo-se do que o marketing e o branding têm ensinado para as empresas no correr das últimas cinco décadas.

Se a sua marca consagra-se e é vitoriosa num determinado território, duas notícias. A primeira é que nesse território sua empresa é praticamente imbatível. A segunda, é, não tente fazer qualquer outro produto que seja com sua marca. Não vai dar certo. Os consumidores ignorarão.

E foi o que aconteceu com Dudalina. E aí seus novos donos e gestores reconhecem o erro e voltam atrás.

Ao apresentar os resultados, e falar sobre revisão de estratégia ao jornal Valor, o presidente da empresa, Livinston Martins Bauermeister, reconheceu os equívocos cometidos pela empresa e foi enfático: “daqui para frente a Dudalina vai dar foco apenas em seus produtos tradicionais: camisas e calças sociais”. Em 2015, quando começou o desvario e alucinação, alertei em artigo: “Já comentei outro dia a respeito da esquizofrenia que se apoderou da mais emblemática das empresas e Marcas do território das camisas, a Dudalina. Insuflada, pelo veneno destilado pelos homens de olhos vermelhos, mais conhecidos como investidores predadores, os atuais dirigentes da empresa – ainda com membros da família no comando – mergulham no autoengano crônico, e contrariam a percepção, reconhecimento e reputação que, com incomum talento e maior sensibilidade, construíram, no correr de décadas, na cabeça e no coração de seus clientes. Assim, é simplesmente patético e constrangedor, nos últimos finais de semanas e revistas, testemunhar a Dudalina – sinônimo de camisa – expondo-se publicamente com modelos de corpo inteiro, homens e mulheres, vestindo camisas, jeans, cintos e sapatos em sua publicidade”.

Dois anos depois, e finalmente, – espero que tenha sido em tempo -, Dudalina se reencontra com seu verdadeiro e único DNA.

Será que aprenderam a lição?

FRANCISCO MADIA, especial para o MMM.