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“Corona” é bom ou ruim?

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Corona vem do latim corona. Corona, singular, Coronae, plural. Igual a… Coroa.

Por essa razão, algumas famílias, e no correr de gerações, notabilizaram-se pelo sobrenome Corona. E empresas e produtos também se batizaram com essa palavra. Duchas Corona, por exemplo, com um dos jingles mais memoráveis da publicidade brasileira, do ano de 1973… lembram?

“Apanho o sabonete. Pego uma canção e vou cantando sorridente. Duchas Corona, um banho de alegria num mundo de água quente…
Apanho o sabonete. Abro a torneira, de repente a gente sente. Duchas Corona, um banho de alegria num mundo de água quente…
Apanho o sabonete. É Duchas Corona dando um banho em tanta gente. Duchas Corona, um banho de alegria num mundo de água quente”.

O bordão ficou e muitas pessoas repetem até hoje: “Um banho de alegria num mundo de água quente…”. No livro de Fábio Barbosa Dias, “A história das músicas da propaganda e de seus criadores, está o registro: Relata Fábio, “Duchas Corona, 1973 – O músico Francis Monteiro compôs o clássico jingle das Duchas Corona em menos de cinco minutos. Era o primeiro que fazia e a empolgação grande. José Luiz Nammur, o Zelão, diretor de criação da produtora Publisol, nem acreditou. A prova foi gravada e, na agência de publicidade, veio a recusa. A alegação era que o objetivo era vender chuveiro e não sabonete. Na hora os dois decidiram “bypassar” – pular a agência, e levaram direto ao cliente. Foi aprovada no ato”.

E, como Corona remete a Coroa, muitas redes de hotéis pelo mundo adotaram a denominação. Dentre esses, no centrão da cidade de São Paulo, localiza-se o Hotel Gran Corona. O jornal O Globo, através de seu jornalista Eduardo Maia, foi conferir o efeito do Coronavírus no Gran Corona. E entrevistou o recepcionista Roberto Matos, que disse:

“Estranho muito o lobby vazio. É uma tristeza só. Trabalho aqui há 22 anos e nunca imaginei passar por isso. Nunca vi esse hotel vazio. De segunda a sexta, então, tinha lotação máxima. Gran Corona, o 3 estrelas próximo da Praça da República, pergunta-se, neste momento, e depois que a crise passar: trocar ou manter o naming?

As duas alternativas fazem sentido. Se trocar o nome, alguma reforma precisa ser feita no hotel para dar consistência ao motivo e narrativa da troca. Se permanecer com o nome, rapidamente improvisar algumas brincadeiras, para tirar toda a pressão do nome, e na linha, lembram, Castigat Ridendo Mores, brincando é que se supera as adversidades dos acontecimentos.

Já a pior situação é da Cerveja Corona… Desde 1925, de origem no México, e comprada em 2012, pela Anheuser-Busch InBev… Criada por Antonino Fernandez, que morreu em agosto de 2016, milionário pela Corona, e que distribuiu sua fortuna entre os herdeiros e 80 moradores do vilarejo Del Condado, na Espanha, onde cresceu e viveu boa parte de sua vida, antes de mudar-se para o México. Cada um dos 80 moradores da localidade recebeu aproximadamente, o equivalente a R$ 10 milhões em valores de hoje.

Em 2014, naqueles cálculos malucos e de certa forma ridículo que faz, a Interbrand avaliou a marca de cerveja Corona em US$ 4,5 bi. A Corona pontifica no Brasil com a moda lançada pela cerveja Sol por aqui, de adicionar-se uma fatia de limão… Nos jornais das últimas semanas algumas estimativas de que a cerveja Corona vai perder em faturamento alguma coisa como US$ 200 milhões…

Ou seja, se o hotel da Praça da República vai precisar de muita descontração, caso decida manter a marca Corona para resgatar seus clientes, a cerveja Corona terá que protagonizar milhões de piruetas e milagres… Já as Duchas Corona não têm do que se preocupar.

Suas duchas sempre trarão um banho de alegria num mundo de água quente… Coisas da vida. Às vezes, azar de goleiro; às vezes, sorte de artilheiro.

Próximo!

 

 

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