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Cenas do derretimento: Saraiva e Cogna

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Neste momento, por crises específicas e monumentais decorrentes de definições estratégicas equivocadas, algumas empresas sentem o impacto da pandemia de uma forma muito maior.

Hoje vamos comentar sobre a Saraiva, e sobre o ex-Grupo Kroton, hoje rebatizado com denominação absurda e patética, Cogna… Até difícil de falar, quanto mais entender… E que remete a caca, coisa ruim, sensações negativas… Por mais que seja a raiz latina de conhecimento…

Alguns resultados e providências, anunciados pelas empresas, revelam a dimensão e profundidade do processo de, mais que reconstrução, de reinvenção das empresas, ou e até mesmo, tentativas impossíveis de ressuscitações.

Em algumas situações, e no entendimento de nossos consultores, estamos diante de casos perdidos. Sem nenhuma chance de recuperação. É o caso de uma Saraiva, por exemplo.

Em recuperação judicial, reduzindo substancialmente seu número de lojas, apenas no segundo trimestre de 2020, no chamado olho do furação da coronacrise, a Saraiva mesmo com operações reduzidas registrou um prejuízo de quase R$ 120 milhões, para uma receita de R$ 28 milhões.

Além das lojas definitivamente fechadas no processo impossível de recuperação, com a pandemia, permaneceu com todas as demais lojas praticamente fechadas, e assim, perdeu quatro vezes mais do que a receita registrada no mesmo período anterior.

Por outro lado, e exemplo de uma empresa que permanece numa razoável situação financeira, mas absolutamente consciente que o negócio onde pontificava e liderava agora é outro, o ensino superior no Brasil, o grupo Cogna, (ex-Kroton) está anunciando mais que correções, mudanças radicais em sua política de produtos.

Convencida de que a educação presencial seguirá num processo de derretimento irreversível, decidiu diminuir seus cursos presenciais de 59 para 15. Isso mesmo! 75% a menos!

Manterá apenas os cursos que implicam numa mensalidade de maior valor como Medicina, Odontologia, Veterinária, Direito, e todos os demais migrarão, em princípio, e definitivamente, para o digital, para o EAD. Sobrarão milhares de metros quadrados de materiais, de professores, de equipamentos…

Rodrigo Galindo, presidente do Cogna, explica a desconstrução e reconstrução:

“Nossa estrutura era para um cenário com Fies e sem covid. Essa é a nossa maior e mais impactante mudança no ensino superior…”.

Meses atrás, ao tomar a decisão patética e lamentável sobre todos os sentidos, de trocar a denominação forte, consagrada, relevante, sonora, positiva, de Kroton – por uma palavra fraca, débil, que remete no português a conotações no mínimo ruins, difícil de falar, Cogna – por mais que sintetize em seu étimo “conhecimento”, de alguma forma o poderoso grupo já sinalizava estar mergulhando em grave crise.

Mudanças trágicas e absurdas de denominação invariavelmente traduzem organizações ingressando em parafuso… Apenas isso.

E é o que constatamos, hoje.

 

 

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