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Carteiro, profissão de alto risco

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A situação dos Correios é dramática. As discussões se privatizam ou não seguem. E, se sim, o que se privatiza? Em termos econômicos arrombados e falidos, seus funcionários foram assaltados por gestões criminosas em seu fundo de pensão, o Postalis, e hoje precisam pagar muitos reais a mais para terem a perspectiva de alguma aposentadoria no futuro.

Ainda lembro-me anos atrás, conversando com executivos dos Correios que me falavam do apreço que a população tinha pelos seus serviços, muito especialmente pela figura do carteiro, uma personagem em cada cidade, bairro, rua. Conhecia todas as casas e pessoas pelo caminho. Era saudado pelos cachorros e ganhava café de graça nos bares e padarias.

Mesmo assim, e em alguns lugares, a impossibilidade de entregar a correspondência. Tipo, alguns morros do Rio de Janeiro, favelas de São Paulo, onde o assalto era certo. Muito especialmente quando tratava-se de compras realizadas a distância e entrega dos produtos, e, em especial, os da Natura e da Avon.

Semanas atrás recebemos na Madia Business School querida aluna que trabalhou na Mahogany e relatou os mesmos problemas… Hoje, ser carteiro nos Correios, por maior apreço e carinho que as pessoas ainda tenham pela extraordinária figura e em sua missão de mensageiros, é risco de vida.

Na última semana de dezembro de 2017, a Folha estampou em manchete no caderno Cotidiano e apenas o seguinte: “Violência restringe Correios em 29% da cidade de São Paulo” Ou seja, se anos atrás o problema era localizado e em apenas alguns morros do Rio de Janeiro e favelas de São Paulo, hoje generalizou.

Assim, e além da gestão criminosa que assaltou seus cofres, hoje os Correios conseguem cumprir apenas 70% de sua missão na cidade de São Paulo e em muitas outras cidades. O problema não é dos Correios. O problema é nosso, cidadãos, que aceitamos continuar vivendo e convivendo com bandidos e em cidades sitiadas. Se para todos, essa situação, mais que constrangedora, é humilhante, para muitos pequenos empresários do comércio eletrônico é praticamente sentença de morte. Na matéria da Folha vários depoimentos ilustram o inferno.

Augusto Vilas Boas de Lima, 47 anos, comerciante de produtos pela internet. As pessoas compram seus produtos, mas moram em áreas onde o Correios desistiu de entregar. Assim as peças vendidas continuam paradas na agência do Correios. No caso de Augusto, a de Itaquera, próxima do Corinthians. Diz Augusto, “Preciso retirar de volta na Agência porque também os Correios não entregam no meu endereço. Às vezes nem compensa porque fica mais caro o combustível do que a peça”. Ou, Thamires de Oliveira, grávida de nove meses e com dois filhos, Miguel, 6 e Bernardo 3, que estavam com ela na agência do Correios do Itaim Paulista.

Disse que os filhos mandaram cartinha para o Papai Noel dos Correios. “E que receberam a informação que precisavam ir retirar seus presentes na agência porque não entregavam na região onde moram…”.

Existe no Correios, uma espécie de ranking dos funcionários mais assaltados. Alguns, mais de 30 vezes. E muitos em licença médica por problemas decorrentes.

A declaração de um funcionário do Correios ilustra, tragicamente, a calamidade: “Tirando a região central, os criminosos veem os carros dos Correios e já contabilizam dinheiro em caixa”.

Ninguém vai fazer nada, além de continuarmos construindo muros e investindo em cadeados, alarmes, aplicativos, blindagens, segurança…

Pelo jeito batemos no fundo do poço. E a sensação que tem mais fundo ainda, depois do fundo.

 

 

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