Brasileiro não gosta de sorvete…

É o que concluem, equivocadamente, os grandes fabricantes mundiais quando olham para nosso país.

Veem um clima mais que adequado para um consumo superlativo de sorvetes, investem pesado, perdem dinheiro, e muitos permanecem apenas para preservar as aparências. Mas com desempenho medíocre, e retorno sobre o capital pífio.

Desde que comprou a Kibon, no dia 21 de outubro de 1997, portanto, há mais de 20 anos, a Unilever só perde dinheiro com a compra da mais fantástica e legendária marca de sorvetes do país.

Na ocasião a Unilever pagou para a Philip Morris, que era a dona da empresa, 930 milhões de dólares. Não contente, anos depois, trouxe para nosso país uma outra aquisição que fez recentemente nos Estados Unidos, a Ben & Jerry, e também perde muito dinheiro com essa marca.

Nos jornais de semanas atrás a informação que a Häagen-Dazs desistiu de suas lojas próprias e está fechando todas. Continuará vendendo seus sorvetes apenas em padarias voltadas para a classe A, e em algumas lojas de supermercados. Por quanto tempo?

Duas observações sutis, mas definitivas e devastadoras para todos aqueles que acreditam que o Brasil é o país adequado para sorvetes.

1 – Todas as cidades do país, sem, exceção, e que são mais de 5 mil, têm no mínimo duas fabriquetas de sorvetes na informalidade. E que vendem picolé por 50 centavos, exagerando, 1 real. E é aí que a maioria das pessoas, quando sente vontade, compra.

2 – O fato de o Brasil ter o clima ideal para a venda e consumo de sorvetes é rigorosamente verdadeiro. Tão verdadeiro que depois de mais de 500 anos os brasileiros acostumaram-se e sabem viver com o clima que tem sem a necessidade de tomar sorvete. Óbvio, ou sutil, mas, definitivo.

E assim, e por mais que se faça, não obstante o quanto se invista, a sensação de quem olha superficialmente sobre a realidade, conclui que brasileiro não gosta de sorvete. Gosta e compra. Do baratinho!

Mas não na proporção que o clima sugere, mesmo porque, aprendemos a viver e conviver com esse clima.

Será que as empresas ainda não se deram conta e continuarão perdendo dinheiro no próspero e pulverizado negócios de sorvetes?

 

 

 

 

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