Branded Magazine

Lá atrás existiam os publieditoriais. Publicidade com cara de editorial, que precisava da concordância prévia da plataforma de comunicação.

Por exemplo, nos anos 1970, a empresa que quisesse fazer um anúncio com muito texto, e que desse a sensação para o leitor tratar-se de matéria da revista, teria que mandar o material para os editores da publicação semanas ou até mesmo meses antes. E depois de uma série de restrições, e da obrigatoriedade da expressão Publieditorial bem grande, o anúncio finalmente era aceito, e seu preço o dobro ou o triplo da tabela.

Em muitas situações e momentos, mesmo pagando o quádruplo, editoras recusavam os publieditoriais. Essas capas falsas, então, ou promocionais como algumas revistas e jornais preferem nominar, NEM PENSAR. Quem ousasse propor, ou até mesmo perguntar, receberia na lata, como se dizia naqueles tempos, TÁ PENSANDO QUE EU SOU O QUE? IMPRENSA MARROM?

Esse tempo ficou para trás. Hoje qualquer empresa de qualquer setor de atividade consegue publicar seus publieditoriais numa Veja, por exemplo, sem qualquer tipo de exigência, com um desconto substancial no valor da página, e ainda, se a empresa precisar, com o apoio de uma empresa que a Abril criou para facilitar essa prática, a ABC, Abril Branded Content.

Citei a Abril e a Veja apenas como exemplo. Todas as principais editoras fazem rigorosamente o mesmo, e todas também oferecem os serviços de Branded Content!

Pois bem, a novidade do ano passado, 2018, quem trouxe foi uma edição recente da revista Vanity Fair, e que é, integralmente, da primeira a última página do editorial, claro, com exceção dos anúncios das demais empresas, totalmente Branded Louis Vuitton.

Da capa à última página, o leitor tem a sensação que se encontra dentro da marca Louis Vuitton, pelas cores, tipos, espaçamentos, direção de arte, e clima das matérias.

Como se estivesse fazendo compra em uma de suas lojas e por onde entrou e chegou através das páginas de uma revista totalmente Branded Louis Vuiton!

Assim é o novo mundo…

Mas, como fica a isenção editorial… Perguntarão os queridos amigos habituados aos velhos e bons costumes…? Não fica.

Foi-se! Foice nos dois sentidos! E por duas e ótimas razões.

A primeira é que não faz mais o menor sentido, em 2018, depois da disrupção, da multiplicação de plataformas, e das redes sociais, publicações continuarem tutelando seus leitores como se fossem ignorantes e incautos. Ainda que alguns e poucos eventualmente sejam.

E depois, e pela evolução dos acontecimentos, e pelas pessoas terem se diplomado na ciência e na arte de comprar e consumir, não só não se incomodam como até festejam publieditoriais coloridos, instigantes, lúdicos, orientadores, e, por que não, motivadores e indutores de compras!

A propósito, não mais publieditoriais, Branded Content!

 

 

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