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Bacio di Latte

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Durante décadas nos acostumamos a ouvir que brasileiros não gostavam de sorvete. É verdade. Não gostavam de qualquer sorvete. Para o consumo do dia a dia todas as cidades brasileiras têm de 1 a 5 pequenas fábricas que produzem os tradicionais picolés, que vendem por R$ 1 ou R$ 2, e dão para o gosto e gasto.

Os industrializados tipo Kibon faz algum sucesso, mas nada que justifique pagar R$ 4 ou R$ 5 por um picolé contra o R$ 1 ou R$ 2 das fabriquetas locais. Porém, e diante de sorvetes de reconhecida qualidade, muitos acabam fazendo um sacrifício, gastando bem mais do que estão acostumados a pagar por um sorvete, mas, e ocasionalmente, mergulham de cabeça.

A história da gelateria Bacio di Latte é um ótimo exemplo, que brasileiro adora sorvete desde que de excepcional qualidade. Chegou silenciosamente no ano de 2011, numa pequena sorveteria, na rua Oscar Freire, depois da Peixoto Gomide, e em meio a pequenas lojas e restaurantes. Sua fama correu de boca em boca, entre uma lambida e outra. Em poucos meses era um tremendo sucesso.

Segundo a narrativa no site da gelateria, a história começa no ano de 2009, quando um dos sócios Edo Tonolli, apaixonado pela cultura brasileira, embarca num projeto voluntário em hospitais filantrópicos no nordeste do Brasil. Sertão do Araripe. Da cidade de Milão, Edo, como é chamado, trabalhava numa corretora de valores. Um dia jogou tudo para cima, descobriu a fundação de filantropia Marcelo Candia, e acabou desembarcando numa missão social em nosso país.

Cabia a Edo orientar em finanças os hospitais do nordeste brasileiro na busca de uma melhoria de gestão. Hospedou-se no convento da cidade de Quixadá, da ordem das irmãs missionárias da Imaculada Conceição. De lá se mudou para o mosteiro beneditino da mesma cidade. Depois de seis meses retornou a Itália.

No ano seguinte faz uma viagem com seu irmão Gigi a Portofino e lá se reencontram com um antigo amigo, o escocês Nick Johnston, que já havia morado no Brasil e os 3 decidem voltar e empreender. Nasce Bacio di Latte na Oscar Freire…

8 anos depois, um faturamento de R$ 220 milhões, de suas 130 lojas. Nos próximos meses pretende abrir mais 40 unidades e alcançar a marca de 200 em no máximo dois anos. Depois do sucesso no Brasil duas lojas foram abertas nos Estados Unidos – Los Angeles – e os planos preveem um crescimento acelerado naquele país durante a próxima década… Nada disseram ainda sobre uma revisão nos planos pós-pandemia…

Mesmo sendo sucesso desde o primeiro dia, a Bacio di Latte perdia a venda de milhares de sorvetes a cada dia porque as pessoas, pela qualidade e design das lojas, acreditavam que um copinho não sairia por menos de R$ 20…

Com o preço na placa as restrições imaginárias caíram e o movimento duplicou… Decidiram então, ao invés de tentar comunicar de uma forma mais elegante, apelar para uma discreta mais eloquente tabuleta. Sim, brasileiro gosta de sorvetes. O básico, para o dia a dia, e o de excepcional qualidade, para momentos especiais e passeios.

Bacio di Latte, um espetacular caso de sucesso no território dos sorvetes que, supostamente, os brasileiros não gostavam.

 

 

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Diário de um Consultor de Empresas – 08/07/2020

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